Celina Leão aposta em uma máquina pública mais enxuta para o GDF
Plano da candidata se diferencia ao não prever novas secretarias e priorizar o fortalecimento da estrutura administrativa já existente
Entre os principais planos para o GDF, Celina Leão é a única que não prevê a criação de novas secretarias ou estruturas equivalentes. A escolha coloca a eficiência da máquina pública no centro do debate. Em uma eleição para o Governo do Distrito Federal, as diferenças entre os candidatos não aparecem apenas nas promessas de obras, programas ou investimentos. Elas também estão na forma como cada um pretende organizar a própria máquina pública.
E, nesse ponto, há uma diferença que merece ser observada com atenção: entre os quatro principais planos analisados, Celina Leão é a única candidata que não apresenta proposta de criação de novas secretarias, órgãos ou estruturas administrativas equivalentes.
A informação, isoladamente, pode parecer apenas uma questão de organograma. Não é.
Criar uma nova secretaria significa criar uma estrutura permanente de governo, com cargos, orçamento, servidores, planejamento, contratos e responsabilidades administrativas. Por isso, a decisão de não ampliar o organograma pode ser interpretada como uma opção por utilizar melhor aquilo que já existe antes de criar novas estruturas.
Nos planos apresentados por José Roberto Arruda, Leandro Grass e Ricardo Cappelli, aparecem propostas de ampliação ou criação de estruturas administrativas.
Arruda propõe um Centro de Coordenação do Governo, voltado à articulação e ao acompanhamento das ações da administração.
Grass apresenta a criação de uma Secretaria Executiva de Proteção Animal, dedicada especificamente à área.
Cappelli, por sua vez, inclui propostas relacionadas à criação da Emater-DF e de uma Secretaria de Cultura.
A estratégia de Celina segue caminho diferente.
Em vez de aumentar o número de estruturas, o plano aposta no aproveitamento e no aprimoramento da máquina pública já existente.
O argumento da eficiência
Há uma lógica administrativa nessa escolha.
Governos não deveriam necessariamente ser avaliados pela quantidade de secretarias que possuem, mas pela capacidade de entregar serviços públicos, executar orçamento, reduzir filas, melhorar infraestrutura e responder às demandas da população.
Uma estrutura administrativa maior não significa automaticamente um governo melhor.
Da mesma forma, uma estrutura menor também não garante eficiência.
O ponto decisivo está em como os recursos existentes são utilizados.
Se uma secretaria já possui atribuições semelhantes às que seriam transferidas para uma nova pasta, criar outra estrutura pode provocar sobreposição de funções, aumento da burocracia e necessidade de novos recursos administrativos.
Por outro lado, quando determinada área apresenta problemas que não conseguem ser solucionados dentro da estrutura existente, uma nova secretaria pode ser justificável.
É justamente por isso que a proposta de Celina merece ser analisada não pelo simples fato de não criar novas pastas, mas pelo que pretende fazer com as estruturas que já existem.
Menos organograma também significa mais cobrança
Existe, entretanto, um contraponto importante.
Se a candidata opta por não criar novas secretarias, a cobrança sobre sua capacidade de gestão aumenta.
A população não poderá aceitar que a ausência de novas estruturas seja utilizada apenas como argumento de austeridade administrativa enquanto problemas permanecem sem solução.
A lógica precisa ser outra: se a estrutura atual é suficiente, ela precisa funcionar melhor.
Isso significa estabelecer metas, acompanhar indicadores, identificar gargalos e cobrar resultados dos órgãos responsáveis.
É uma diferença importante entre simplesmente manter a máquina pública e fazer uma verdadeira reorganização administrativa.
O eleitor deve olhar além do número de secretarias
A discussão também ajuda a fugir de uma armadilha comum das eleições: confundir anúncio com capacidade de execução.
Uma nova secretaria pode ser necessária em determinados contextos. Mas também pode representar apenas uma mudança de endereço administrativo para um problema que já poderia ser tratado por uma estrutura existente.
Da mesma forma, manter o organograma atual pode ser uma decisão responsável ou simplesmente uma opção conservadora, dependendo da capacidade de gestão demonstrada posteriormente.
Por isso, o dado de que Celina é a única entre os quatro principais candidatos sem proposta de criação de novas estruturas deve ser visto como um diferencial de estratégia, e não automaticamente como prova de superioridade administrativa.
O que poderá transformar essa diferença em resultado concreto será a capacidade de fazer as estruturas existentes funcionarem.
A verdadeira disputa será pela eficiência
Em um Distrito Federal que enfrenta demandas permanentes em áreas como saúde, segurança, mobilidade, educação e infraestrutura, o debate mais importante talvez não seja quantas secretarias serão criadas.
A pergunta mais relevante é outra:
O governo conseguirá entregar mais utilizando melhor os recursos que já possui?
A proposta de Celina responde a essa questão com uma escolha clara: antes de ampliar a máquina, melhorar aquilo que já está funcionando dentro dela.
É uma estratégia que pode significar racionalização administrativa e redução de estruturas paralelas.
Mas também impõe uma condição incontornável: resultado.
Se a estrutura existente for suficiente, ela precisa entregar.
Se não for, será necessário explicar por que não foi capaz de fazê-lo.
No fim, o eleitor não utiliza serviços públicos por meio de secretarias. Utiliza hospitais, escolas, unidades de atendimento, transporte, segurança e obras.
É na ponta, portanto, que qualquer desenho administrativo será julgado.




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