Venezuelanos denunciam perseguição a migrantes após ação do ICE no Texas
Organizações de exilados cobram investigação sobre o disparo que feriu um entregador de 28 anos e pedem respeito aos direitos da comunidade imigrante nos Estados Unidos
Organizações venezuelanas cobram investigação após migrante ser baleado por agente do ICE durante operação no Texas. Organizações formadas por venezuelanos exilados denunciaram o que classificam como perseguição policial contra migrantes nos Estados Unidos. A manifestação ocorreu após um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, balear o venezuelano Wilber Rafael Garcés Pérez durante uma operação realizada em Austin, no Texas.
Garcés Pérez, de 28 anos, foi atingido no domingo (20) durante uma abordagem de agentes federais. Ele trabalhava como entregador por aplicativo quando ocorreu o episódio, segundo sua defesa.
O caso provocou manifestações em Austin e ampliou os questionamentos sobre o uso da força em operações migratórias. Lideranças locais e representantes da comunidade venezuelana cobram transparência e uma apuração independente.
Organizações condenam operação
A Associação Multicultural de Ativistas Voz e Expressão, a Amavex, e a organização Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio, a Veppex, divulgaram um posicionamento conjunto rejeitando a ação.
As entidades pediram ao governo norte-americano que impeça perseguições contra venezuelanos e outros migrantes. Também defenderam que as autoridades respeitem os direitos fundamentais das pessoas abordadas, independentemente de sua situação documental.
Para as organizações, o disparo reforça a insegurança entre famílias que deixaram a Venezuela e buscaram proteção nos Estados Unidos.
Venezuelano foi levado à custódia do ICE
Após ser baleado na região do tronco, Garcés Pérez foi encaminhado a um hospital. Inicialmente, autoridades informaram que ele se encontrava em estado grave, porém estável. Depois da alta médica, o venezuelano foi transferido para a custódia migratória.
Existem versões divergentes sobre a situação dele no país. Uma fonte ligada às forças de segurança afirmou que Garcés Pérez estaria sem documentação migratória regular. A advogada Kate Lincoln-Goldfinch, que representa a família, declarou que ele entrou legalmente nos Estados Unidos.
Informações posteriores da defesa apontam que o venezuelano possuía autorização de trabalho e buscava asilo. A situação migratória deverá ser esclarecida no processo, mas não elimina a necessidade de investigar as circunstâncias e a proporcionalidade da força empregada.
O ICE ainda não apresentou publicamente uma descrição detalhada de todos os acontecimentos que antecederam o disparo.
Autoridades locais exigem investigação independente
O prefeito de Austin, Kirk Watson, defendeu uma investigação com participação de autoridades externas ao ICE. A Polícia de Austin não teria participado da operação que terminou com o venezuelano ferido.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou que o caso será investigado por sua unidade de investigações, com apoio do FBI. Autoridades municipais, entretanto, querem que a polícia local e os Texas Rangers também participem da apuração.
A reivindicação busca evitar que o episódio seja examinado exclusivamente por órgãos ligados ao próprio sistema federal de imigração.
Política migratória amplia temor
O caso ocorre durante a intensificação das operações migratórias nos Estados Unidos. A presença de agentes do ICE tem provocado medo especialmente em cidades com grandes comunidades latino-americanas.
Na Flórida, venezuelanos residentes em Doral também relatam apreensão diante do aumento das abordagens e prisões. A cidade, localizada no condado de Miami-Dade, concentra uma das maiores comunidades venezuelanas do país.
Organizações de defesa dos migrantes alertam que pessoas com pedidos de asilo ou processos migratórios em andamento estão evitando sair de casa, trabalhar ou levar os filhos à escola por medo de detenção.
O episódio no Texas acrescenta um novo ponto de tensão ao debate. Além da situação documental de Garcés Pérez, a investigação deverá esclarecer por que o agente disparou, se havia risco imediato e se os protocolos de uso da força foram respeitados.




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