Caminhada pela paz mobiliza São João da Aliança contra violência
Evento reúne comunidade, autoridades e especialistas em defesa de mulheres e crianças
São João da Aliança se une contra a violência e mostra que o silêncio não pode mais existir. Por Janna Machado
A cidade de São João da Aliança viveu um dos momentos mais marcantes de sua história recente com a realização da 1ª Caminhada pela Paz. A mobilização reuniu mulheres, homens e crianças em um ato coletivo contra a violência, com participação da Secretaria de Assistência Social, do Instituto Flores de Aço, do Conselho Municipal da Mulher e do CONSEG.
O prefeito do município, acompanhado da primeira-dama e do filho, esteve à frente da caminhada, reforçando o compromisso institucional com a proteção de mulheres e crianças e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à segurança e dignidade.

Mobilização que vai além da caminhada

Mais do que um ato simbólico, o evento foi estruturado como um espaço de conscientização, com:
- Palestras educativas
- Testemunhos reais
- Momentos de acolhimento
- Integração comunitária com piquenique
A vereadora da cidade também esteve presente, reforçando o apoio institucional à pauta.
Uma das organizadoras, Cynthia Ferreira, destacou a necessidade de romper com o silêncio diante da violência:

“Não tem essa de briga de marido e mulher não se mete a colher. Mete sim. Mete o pé na porta, enfrenta e ajuda a não acontecer uma tragédia.”
Violência invisível ainda é realidade
Durante o evento, a psicanalista Geruza Campelly trouxe um alerta direto sobre a dificuldade de reconhecimento das vítimas:
“Muitas mulheres sofrem perseguição por pessoas que, fora de casa, aparentam ser corretas. A sociedade precisa ouvir, acreditar e apoiar. Mulheres não podem ser desacreditadas.”
A fala evidencia um problema estrutural: mesmo com leis de proteção, a violência contra a mulher segue crescente e, muitas vezes, invisibilizada.
Discurso político e responsabilidade social
O prefeito da cidade reforçou, em discurso, o papel dos homens na proteção e no respeito às mulheres:

“Homens de verdade protegem e amam. Minha família é meu bem mais importante.”
A presença ativa do gestor público no ato sinaliza alinhamento político com a pauta, mas também levanta um ponto central: discursos precisam se transformar em políticas públicas contínuas.
Símbolos que fortalecem a denúncia
Um dos marcos da ação foi a instalação do banco vermelho, símbolo internacional de combate à violência contra a mulher, com informações de denúncia acessíveis à população.

A iniciativa busca ampliar o alcance de denúncias e conscientizar diariamente a comunidade.
A força da comunidade

Entre os participantes, a presença de dona Ivete, de 80 anos, chamou atenção. Com energia e determinação, ela caminhou ao lado dos demais, representando a força de gerações que não desistem da luta por respeito e dignidade.
Análise: conscientização cresce, mas desafio é estrutural
A caminhada evidencia avanço na mobilização social e no debate público. No entanto, o problema da violência contra a mulher não será resolvido apenas com ações pontuais.
É necessário:
- Fortalecimento de políticas públicas
- Rede de apoio eficiente
- Agilidade nas denúncias
- Educação contínua
Sem isso, eventos como este correm o risco de se tornarem apenas simbólicos.
O que está em jogo
O crescimento do Instituto Flores de Aço em todo o país reforça a urgência de transformar mobilização em mudança real.
A luta não é apenas por visibilidade, mas por segurança, justiça e preservação de direitos conquistados.





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