Lula sanciona lei que regulamenta profissão de doula no Brasil

Nova legislação reconhece atuação, define limites e garante presença no parto em todo o país

Agência Brasil
Lula sanciona lei que regulamenta profissão de doula no Brasil Lei sancionada por Lula regulamenta atuação de doulas e garante presença no parto em todo o país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que regulamenta a profissão de doula no Brasil, consolidando uma demanda histórica de reconhecimento dessas profissionais no sistema de saúde. A medida estabelece regras claras para atuação, formação e direitos das gestantes, marcando um avanço na política de humanização do parto.

A regulamentação define a doula como profissional que oferece apoio físico, emocional e informacional durante a gestação, o parto e o pós-parto, sem substituir médicos ou enfermeiros.

O que muda com a nova lei

A principal mudança é a formalização da atividade, que até então operava em grande parte de forma informal no país.

A partir da lei, ficam garantidos:

  • Direito da gestante de escolher uma doula
  • Presença da profissional em hospitais públicos e privados
  • Atuação durante todo o trabalho de parto e pós-parto imediato
  • Proibição de cobrança extra pela presença da doula

A medida padroniza um direito que já existia de forma desigual em estados e municípios.

Atuação definida e limites claros

A legislação também delimita o papel da doula, evitando conflitos com outras áreas da saúde.

Entre as atribuições:

  • Orientação sobre gestação e parto
  • Apoio emocional e psicológico
  • Técnicas de alívio da dor sem uso de medicamentos
  • Auxílio na amamentação e cuidados com o bebê

Por outro lado, a lei proíbe:

  • Realizar procedimentos médicos
  • Administrar medicamentos
  • Utilizar equipamentos hospitalares
  • Interferir nas decisões clínicas
  • Formação passa a ser exigida

Outro ponto central é a profissionalização da atividade.

Para atuar, será necessário:

  • Ensino médio completo
  • Curso de formação em doulagem com carga mínima de 120 horas

A lei também prevê uma regra de transição, permitindo que profissionais com experiência comprovada continuem atuando.

Avanço na humanização do parto

A regulamentação é vista como parte de um movimento maior de transformação na assistência obstétrica no Brasil.

Estudos e políticas públicas já apontam que a presença de doulas pode:

  • Reduzir intervenções desnecessárias
  • Diminuir índices de cesárea
  • Melhorar a experiência da gestante

Além disso, reforça o combate à violência obstétrica, ao garantir mais autonomia e informação às mulheres.

Críticas e pontos de atenção

Apesar do avanço, a lei também levanta debates.

Entre os principais pontos críticos:

  • Falta de definição sobre remuneração
  • Possível dificuldade de acesso à formação
  • Desafio de integrar doulas ao SUS de forma estruturada

Sem políticas complementares, existe o risco de a regulamentação existir no papel, mas não se consolidar na prática.

Reconhecimento formal, desafio real

A sanção presidencial encerra uma etapa legislativa importante, mas abre outra ainda mais complexa: a implementação.

O sucesso da lei dependerá de:

  • Fiscalização nos hospitais
  • Formação acessível
  • Integração com equipes de saúde
  • Consciência das gestantes sobre seus direitos
  • Análise: avanço jurídico com impacto social direto

A regulamentação das doulas representa mais do que o reconhecimento de uma profissão.

Ela sinaliza uma mudança de paradigma:

👉 colocar a mulher no centro do processo de parto.

Mas, como em outras políticas públicas no Brasil, o desafio não está apenas na lei — está na execução.




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