Festival de hip-hop na periferia do DF transforma palco em espaço de debate sobre trabalho e desigualdade
Evento em Planaltina une cultura urbana, protagonismo feminino e críticas à escala 6x1 em meio ao debate nacional sobre jornada de trabalho
Festival em Planaltina une hip-hop, cultura periférica e debate sobre a escala 6x1 durante evento gratuito no DF. A cultura hip-hop voltou a ocupar espaço de destaque nas periferias do Distrito Federal com uma proposta que vai além da música e do entretenimento. O Festival Quebradas, realizado em Planaltina, reuniu artistas, poetas, coletivos culturais e moradores em uma programação marcada por debates sociais, valorização da cultura periférica e críticas à escala 6x1.
Entre os destaques do evento esteve a participação da rapper brasiliense MC Aline, que utiliza suas composições para abordar temas ligados ao cotidiano das periferias, direitos das mulheres e condições de trabalho enfrentadas por trabalhadores brasileiros.
A discussão sobre a escala 6x1 ganhou espaço dentro da programação justamente em um momento em que o tema avança no Congresso Nacional e mobiliza trabalhadores em todo o país. Propostas em debate defendem a redução da jornada semanal e ampliação dos períodos de descanso, tema que vem gerando forte divisão entre setores empresariais, sindicatos e parlamentares.
O festival também reforçou o papel histórico do hip-hop como ferramenta de denúncia social e expressão das periferias. Além dos shows, a programação contou com:
- batalhas de rima;
- oficinas de grafite;
- literatura periférica;
- debates sobre feminicídio;
- saúde mental;
- protagonismo feminino;
- formação cultural para crianças e jovens.
Segundo os organizadores, a proposta do evento é utilizar arte, poesia e cultura urbana como instrumentos de reflexão social e fortalecimento comunitário.
Especialistas em cultura urbana afirmam que o hip-hop mantém forte ligação com pautas relacionadas à desigualdade social, mercado de trabalho, racismo, violência e direitos humanos, principalmente em regiões periféricas.
Em Brasília, movimentos ligados às batalhas de rima e ao rap cresceram nos últimos anos como espaços de mobilização cultural e discussão política, especialmente entre jovens das regiões administrativas.
A realização do Festival Quebradas reforça como a cultura periférica continua ocupando espaços públicos para discutir temas que ultrapassam a arte e refletem diretamente os desafios enfrentados pela população trabalhadora.




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