Lula contesta tarifaço em ligação com Trump e pede avanço das negociações entre Brasil e EUA

Presidente brasileiro classificou como infundadas as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para novas tarifas e defendeu solução diplomática para as divergências comerciais

Agência Brasil
Lula contesta tarifaço em ligação com Trump e pede avanço das negociações entre Brasil e EUA Lula conversou com Donald Trump e contestou as justificativas dos EUA para novas tarifas sobre produtos brasileiros. Os dois governos sinalizaram continuidade das negociações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta sexta-feira (21) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em mais um movimento para tentar reduzir as tensões comerciais entre os dois países. Durante a conversa, Lula contestou as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para impor novas tarifas sobre produtos brasileiros e defendeu a continuidade das negociações.

Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro e repercutidas pela Agência Brasil, Lula afirmou que as alegações apresentadas pelos Estados Unidos são infundadas. Entre os temas envolvidos na disputa comercial estão questões relacionadas a práticas comerciais, desmatamento, propriedade intelectual, corrupção, Pix, etanol e trabalho forçado.

A conversa representa uma tentativa de manter aberto o canal direto entre os presidentes justamente em um momento de pressão sobre a relação econômica entre Brasília e Washington.

Tarifas estão no centro da tensão

Os Estados Unidos estabeleceram tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros, além de uma cobrança de 12,5% aplicada a produtos de diferentes países, incluindo o Brasil, relacionada a alegações envolvendo a fiscalização de proibições ao trabalho forçado.

O governo brasileiro rejeita os fundamentos apresentados para as medidas e argumenta que as barreiras prejudicam a relação comercial entre as duas economias.

A posição transmitida por Lula a Trump foi de que as divergências devem ser resolvidas por meio de negociação, evitando uma escalada de medidas comerciais que possa atingir empresas, exportadores e setores produtivos dos dois países.

Brasil pretende continuar negociando

Apesar da discordância, a conversa não foi apresentada como um rompimento.

Lula manifestou interesse em aprofundar as discussões com representantes comerciais norte-americanos. Trump, por sua vez, indicou interesse na realização de um encontro presencial entre representantes dos dois governos.

Esse movimento abre espaço para uma nova rodada de negociação antes de eventual adoção de outras medidas pelo Brasil.

O governo brasileiro vem defendendo que qualquer reação às tarifas norte-americanas seja conduzida de maneira institucional, combinando negociação diplomática com os instrumentos comerciais disponíveis ao país.

Segurança também entrou na conversa

A ligação não ficou restrita ao comércio.

Lula manifestou disposição para ampliar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado, mas apresentou divergência em relação à decisão norte-americana de classificar duas organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas.

A diferença mostra que a relação bilateral atravessa uma fase de negociação em múltiplas frentes, envolvendo desde comércio exterior até segurança.

Diálogo ganha peso econômico

Estados Unidos e Brasil mantêm uma relação comercial de grande importância, o que torna uma escalada tarifária relevante para empresas e cadeias produtivas dos dois países.

Tarifas de importação podem elevar custos, reduzir competitividade de determinados produtos e alterar decisões de exportadores e importadores.

Por isso, a retomada do diálogo direto entre Lula e Trump ganha importância além da disputa política entre os dois governos.

O resultado concreto da conversa dependerá agora das próximas negociações entre as equipes brasileiras e norte-americanas. Por enquanto, Brasília deixa uma posição definida: considera injustificadas as acusações que sustentam as novas tarifas, mas pretende continuar negociando com Washington.




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