Uefa sinaliza recuo em boicote aos torneios da Fifa após garantias sobre a Copa do Mundo
Entidade europeia pode suspender ameaça depois de receber compromisso de que a Fifa não retomará plano de vender participações comerciais em suas principais competições; crise com Gianni Infantino, porém, continua
Uefa pode retirar ameaça de boicote após receber garantias de que a Fifa não retomará plano envolvendo investidores privados nas principais competições. A Uefa está próxima de retirar a ameaça de boicote às competições organizadas pela Fifa, após receber garantias de que o controverso projeto de abrir participação econômica em torneios como a Copa do Mundo para investidores privados não será retomado.
A mudança ainda precisa passar pelas instâncias da entidade europeia. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (26), dirigentes devem apresentar o assunto ao Comitê Executivo da Uefa e a presidentes de federações nacionais em uma reunião prevista para quinta-feira (27), em Mônaco.
Caso o recuo seja confirmado, seleções europeias deverão participar normalmente da Copa do Mundo Feminina Sub-20, que começa em 5 de setembro, na Polônia.
O que provocou a ameaça de boicote
A crise começou depois que a Fifa apresentou o projeto conhecido como Fifa Forward Enterprise (FFE).
A proposta previa reorganizar atividades comerciais e operacionais relacionadas aos torneios da entidade e buscava investimentos externos. Um dos pontos que provocaram maior reação foi a possibilidade de investidores privados adquirirem participação na estrutura comercial ligada a competições como a Copa do Mundo.
A resposta europeia foi dura.
Em 30 de julho, a Uefa e suas 55 federações nacionais anunciaram unanimemente que não participariam das competições da Fifa enquanto a proposta permanecesse ativa e não fossem oferecidas garantias de que iniciativas semelhantes não seriam retomadas.
Na declaração oficial, a entidade europeia sustentou que a Copa do Mundo não deveria ser tratada como produto de investimento privado.
Fifa recuou, mas isso inicialmente não foi suficiente
A forte reação internacional levou a Fifa a abandonar o projeto.
Mesmo assim, no início de agosto, a Uefa manteve a ameaça de boicote porque considerava que suas condições ainda não haviam sido integralmente atendidas. A entidade exigia não apenas o abandono da proposta, mas garantias contra uma futura tentativa de retomá-la.
Agora, esse cenário mudou.
Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que a Fifa forneceu as garantias solicitadas e que dirigentes europeus consideram atendidas as condições necessárias para suspender o boicote.
Recuo no boicote não significa paz entre Uefa e Fifa
Esse é o ponto central da nova fase da crise.
Retirar a ameaça de boicote não significa que a Uefa voltou a apoiar a gestão de Gianni Infantino.
O presidente da Fifa continua enfrentando forte contestação política.
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, declarou recentemente que Infantino deveria deixar o comando da entidade ou enfrentar um adversário na eleição presidencial prevista para março de 2027. O próprio Ceferin descartou disputar o cargo.
A pressão não está restrita ao futebol europeu. Dirigentes ligados à Concacaf e à Confederação Asiática também participaram das críticas recentes à condução da Fifa.
Jovens atletas pesaram na decisão
Outro elemento importante é a proximidade da Copa do Mundo Feminina Sub-20.
A competição começa em setembro na Polônia e teria seleções europeias diretamente afetadas por eventual boicote.
Uma fonte próxima às negociações afirmou à Reuters que a mudança de posição não deve ser interpretada como derrota da Uefa, mas também como uma forma de evitar que jovens atletas percam uma oportunidade esportiva única por causa do conflito institucional entre dirigentes.
Essa avaliação ajuda a explicar por que a Uefa pode separar duas questões: suspender o boicote às competições e, simultaneamente, continuar pressionando por mudanças na governança da Fifa.
Crise expõe disputa sobre quem controla o patrimônio econômico do futebol
Por trás da disputa entre Uefa e Fifa existe uma questão muito maior do que o relacionamento entre Ceferin e Infantino.
A controvérsia colocou em discussão até onde entidades esportivas podem buscar capital privado utilizando competições construídas ao longo de décadas por seleções, jogadores, federações e torcedores.
A Uefa sustentou desde o início que abrir participação da Copa do Mundo a investidores ultrapassaria esse limite.
A Fifa acabou recuando.
Se a suspensão do boicote for confirmada, o futebol internacional evitará uma ruptura esportiva imediata. Politicamente, porém, a crise está longe de encerrada.
A próxima batalha deverá ocorrer dentro das próprias estruturas de poder da Fifa, especialmente diante da eleição presidencial de 2027 e da crescente pressão sobre a permanência de Gianni Infantino.




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