PM é denunciado por tentativa de homicídio após jovem ser baleado na saída de cinema no Entorno do DF
Ministério Público de Goiás acusa policial de disparar contra veículo em Valparaíso; vítima de 21 anos foi atingida e sobreviveu após atendimento médico
MPGO denunciou policial militar por tentativa de homicídio após jovem de 21 anos ser baleado em Valparaíso. Promotoria pede julgamento pelo Tribunal do Júri. O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou o policial militar Angelo Pereira Lopes por tentativa de homicídio qualificado contra Wendel Victor da Silva Pereira, de 21 anos. O jovem foi baleado após sair de uma sessão de cinema em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.
A denúncia foi apresentada em 21 de agosto. Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que o policial seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri e requereu a fixação de indenização mínima de R$ 100 mil por danos morais e materiais à vítima.
O episódio ocorreu na madrugada de 6 de janeiro, nas proximidades de uma concessionária. As circunstâncias da abordagem são objeto de versões divergentes apresentadas pelos jovens envolvidos e pela Polícia Militar de Goiás.
Jovens tinham acabado de sair do cinema
Segundo as informações reunidas na investigação, Wendel estava com amigos em um shopping para assistir a um filme.
Após a sessão, ele e Rhyan Lucas Ribeiro Silva foram até um veículo que havia apresentado pane elétrica e estava estacionado nas proximidades de uma concessionária. Enquanto tentavam fazer o carro funcionar, outro automóvel se aproximou.
No veículo estavam Angelo e outro policial militar, Ramses Mattioli da Silva. Os dois estavam à paisana e utilizavam um carro particular.
É justamente a partir desse momento que surgem versões diferentes sobre o que ocorreu.
Jovens dizem que temeram assalto; PM apresentou outra versão
De acordo com relatos apresentados à investigação, os jovens afirmaram que não perceberam inicialmente que estavam diante de policiais.
Como os homens estavam sem uniforme e em um veículo descaracterizado, eles teriam acreditado que poderiam estar sendo vítimas de um assalto.
A versão apresentada pela PMGO à época foi diferente.
Segundo a corporação, os policiais estavam envolvidos em uma ocorrência relacionada à suspeita de furto de veículos na região, teriam se identificado e determinado que os ocupantes parassem. A PM afirmou ainda que uma tentativa de fuga teria levado ao uso da força diante de uma suposta ameaça.
Essas versões deverão ser confrontadas com as provas reunidas durante o processo.
Ministério Público aponta tentativa de homicídio qualificado
A denúncia do MPGO sustenta que Angelo teria efetuado disparos contra o automóvel enquanto ele estava em movimento.
Wendel foi atingido e precisou passar por cirurgia, permanecendo internado em estado grave. Segundo o Ministério Público, ele sobreviveu em razão do atendimento médico recebido.
Para a Promotoria, a maneira como os disparos ocorreram teria dificultado a possibilidade de defesa da vítima. Essa circunstância foi apontada como qualificadora na acusação de tentativa de homicídio.
É importante destacar que denúncia não significa condenação. A acusação apresentada pelo Ministério Público ainda será submetida ao devido processo legal, com direito à defesa e análise das provas pelo Judiciário.
MPGO pede reconstituição do episódio
Entre as providências solicitadas pelo Ministério Público está uma reprodução simulada dos fatos, que poderá ajudar a esclarecer pontos ainda controversos sobre a abordagem.
A investigação deverá confrontar depoimentos com laudos médicos, imagens, perícias e demais elementos técnicos.
O objetivo é reconstruir com maior precisão a sequência dos acontecimentos e verificar a compatibilidade das diferentes versões apresentadas.
Caso levanta debate sobre protocolos em abordagens à paisana
Além da responsabilidade individual que será analisada pela Justiça, o episódio levanta uma questão relevante para a segurança pública: como cidadãos conseguem reconhecer uma abordagem policial quando agentes estão à paisana e utilizam veículos descaracterizados?
O trabalho policial frequentemente exige operações sem identificação ostensiva. Ao mesmo tempo, situações envolvendo abordagens dessa natureza exigem protocolos capazes de reduzir o risco de interpretações equivocadas e de escalada do conflito.
Esse ponto merece atenção porque uma abordagem policial deve combinar eficiência operacional, identificação adequada quando possível, proporcionalidade e preservação da vida.
A investigação e o eventual julgamento deverão estabelecer o que efetivamente aconteceu naquela madrugada em Valparaíso e se a atuação atribuída ao policial ultrapassou os limites legais.
Por enquanto, há uma acusação formal apresentada pelo Ministério Público e versões conflitantes sobre os acontecimentos. Caberá à Justiça avaliar as provas e decidir sobre a responsabilidade do acusado.




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