Celina reage após debate e diz não ter medo de “machões” | “Minha resposta é o trabalho”
Governadora afirma ter sido alvo constante dos adversários durante confronto promovido pelo Metrópoles, critica interrupções e elevação de tom contra mulheres e diz que cobranças políticas não vão intimidá-la
Celina Leão reage ao clima do debate, critica comportamento que classificou como de “machões” e afirma que responderá aos ataques com trabalho. A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), reagiu nesta sexta-feira (11) ao clima de confronto registrado no debate promovido pelo Metrópoles na noite anterior. Durante agenda no Riacho Fundo, Celina afirmou que tem sido alvo constante dos adversários e declarou que não se intimida com o comportamento que classificou como de “machões”.
A manifestação ocorreu um dia depois do encontro entre os candidatos ao Palácio do Buriti. Ao comentar as críticas recebidas, Celina adotou um tom duro e chamou seus adversários de “bando de vagabundo”, relacionando os ataques que afirma sofrer à disputa eleitoral.
A declaração mais extensa da governadora foi:
“Eu tenho quatro mandatos, sou ficha limpa e sou atacada 24 horas por dia por um bando de vagabundo que não tem o que fazer e que está inelegível. Mas a minha resposta é o trabalho.”
A fala representa a posição política de Celina sobre os adversários e não uma caracterização factual deles.
Celina critica comportamento de adversários no debate
A governadora também levou a discussão para a forma como mulheres foram tratadas durante o confronto.
Ao recordar o debate, Celina mencionou candidatos que, segundo sua avaliação, elevaram o tom diante de jornalistas e interromperam a mediadora. Foi nesse contexto que afirmou não ter medo de “machão”.
A declaração reforça uma linha que Celina já havia adotado em outros momentos da campanha, quando reclamou da forma como adversários homens dirigiam críticas e questionamentos contra ela.
O episódio também abre uma discussão que ultrapassa a própria candidatura: qual deve ser o limite entre o confronto político legítimo e um comportamento que transforma o debate em disputa de gritos, interrupções e ataques pessoais?
Discordâncias duras fazem parte de uma eleição. Questionar uma governadora que busca permanecer no cargo também é absolutamente legítimo. Mas o eleitor precisa conseguir ouvir respostas.
Quando a discussão é dominada por interrupções e acusações, propostas sobre saúde, transporte, educação, segurança e desenvolvimento acabam perdendo espaço.
Governadora volta a mencionar situação de Arruda
Celina também voltou a direcionar críticas a José Roberto Arruda (PSD), mencionando a situação eleitoral do adversário.
O Metrópoles registra que a governadora fez referência ao fato de a candidatura de Arruda ter sido negada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.
A situação jurídica de candidaturas pode sofrer alterações por meio de recursos e decisões de instâncias superiores. Por isso, o quadro eleitoral deve ser acompanhado até uma definição definitiva da Justiça Eleitoral.
Cappelli também foi alvo da reação
Outro adversário citado por Celina foi Ricardo Cappelli (PSB).
Segundo a governadora, Cappelli teria demonstrado nervosismo quando questionado durante o debate sobre investigações. Essa é a interpretação apresentada por Celina após o confronto e não deve ser confundida com uma conclusão independente sobre o comportamento ou a situação jurídica do candidato.
A troca de acusações mostra como a disputa pelo Buriti entrou em uma etapa de maior enfrentamento político.
“Minha resposta é o trabalho”
Apesar do tom forte contra os adversários, Celina procurou vincular sua resposta política às ações realizadas durante sua administração.
Nesta sexta-feira, antes das declarações no Riacho Fundo, ela participou da formatura de alunos do Renova DF, em Ceilândia. A candidata afirmou que pretende manter o programa em um eventual novo mandato e destacou a participação feminina entre os beneficiários.
Segundo Celina, aproximadamente 70% do público atendido pelo programa é formado por mulheres. Durante a agenda, ela também defendeu iniciativas de acesso a crédito, capacitação, inovação e formação de pequenos negócios para o público feminino.
Posteriormente, a candidata participou de encontro com empresários do Riacho Fundo e da Área de Desenvolvimento Econômico de Águas Claras e realizou outras agendas eleitorais.
Ataques não podem substituir propostas
A reação de Celina ocorre em um momento no qual o tom dos debates eleitorais merece atenção.
Quem ocupa o governo precisa ser confrontado. Celina deve responder pelos resultados positivos e negativos de sua administração, assim como qualquer governante que busca a reeleição.
Mas adversários também precisam explicar o que fariam de diferente.
O eleitor ganha pouco quando um debate se transforma apenas em uma sucessão de acusações. A pergunta sobre quem atacou melhor pode produzir repercussão nas redes sociais, mas não responde quem possui a melhor proposta para administrar o Distrito Federal.
Cobrança é necessária. Contraditório também.
O que não pode desaparecer é justamente aquilo que deveria justificar a realização de um debate: permitir que a população compare propostas, resultados, experiência e capacidade de execução antes de decidir seu voto.
A declaração de Celina mostra que a campanha entrou em uma fase mais dura. Agora, o desafio para todos os candidatos será impedir que o confronto pessoal ocupe o espaço das respostas que o eleitor ainda precisa ouvir.




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