Novo secretário de Educação do DF coloca aprendizagem e ensino integral no centro da gestão
Em entrevista ao Vozes da Comunidade, Tiago defende valorização dos professores, ampliação da jornada escolar e uso de experiências bem-sucedidas de outros estados para melhorar os resultados da rede pública
Novo secretário de Educação coloca aprendizagem, ensino integral e valorização dos professores entre as prioridades para melhorar a rede pública do DF. O recém-empossado secretário de Educação do Distrito Federal, Tiago, afirmou que melhorar a aprendizagem dos estudantes será o principal desafio de sua gestão à frente da rede pública. Em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, apresentado por Tony Duarte, o secretário reconheceu que os indicadores educacionais exigem avanços e apresentou como prioridades a expansão do ensino em tempo integral, a valorização dos profissionais e o aperfeiçoamento das práticas pedagógicas.
A discussão ocorreu em um momento de atenção sobre o desempenho da educação pública do DF. Questionado sobre os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e sobre quais medidas pretende adotar para melhorar os indicadores, Tiago afirmou que a rede possui profissionais altamente qualificados, mas precisa conseguir transformar essa capacidade em melhores resultados dentro das salas de aula.
Para o secretário, o debate sobre educação deve partir de uma questão objetiva: o estudante está aprendendo?
“No final do dia, a gente discute muito educação, infraestrutura, alimentação, mas o que interessa mesmo é a aprendizagem dos nossos estudantes. Todo o restante é meio para entregar uma boa aprendizagem.”
Secretário reconhece desafio dos indicadores
Ao comentar o Ideb, Tiago defendeu que o índice seja entendido para além de uma simples classificação entre redes de ensino.
Segundo ele, os indicadores ajudam a revelar se crianças e jovens estão efetivamente adquirindo os conhecimentos esperados durante sua trajetória escolar.
O secretário avaliou que existe um desafio importante justamente porque o Distrito Federal reúne profissionais qualificados, mas essa característica ainda precisa se converter de maneira mais ampla em resultados de aprendizagem.
“Nós temos, sem dúvida alguma, os melhores profissionais do Brasil. O nosso desafio é transformar a experiência do trabalho dessa equipe tão qualificada em mais aprendizagem para os nossos estudantes.”
A declaração sinaliza que a nova administração pretende colocar o desempenho pedagógico no centro das decisões da pasta.
Tempo integral será uma das principais aposta
Entre as primeiras estratégias apresentadas está a expansão das escolas em tempo integral.
Tiago afirmou que a cobertura atual do Distrito Federal ainda está abaixo do patamar que considera adequado quando comparada a experiências existentes em outras partes do país.
A ampliação desse modelo, segundo ele, é uma das prioridades defendidas pela governadora Celina Leão.
“Temos que avançar muito em tempo integral aqui no Distrito Federal. É um compromisso muito forte da governadora.”
O objetivo apresentado é aumentar progressivamente o período de permanência dos estudantes nas escolas, aproximando a rede de modelos nos quais crianças e adolescentes passam entre sete e nove horas em atividades educacionais.
Para Tiago, a organização tradicional em diferentes turnos permitiu ampliar historicamente o acesso às escolas, mas o próximo movimento precisa ser aumentar o tempo destinado à formação dos estudantes.
Valorização dos professores integra estratégia
A melhoria dos indicadores não deverá depender apenas da ampliação da jornada escolar.
O secretário também colocou a valorização dos profissionais da educação entre os pilares da nova gestão.
Segundo ele, será necessário estabelecer diálogo sobre carreira e ampliar oportunidades de formação continuada para professores.
“Nós temos que valorizar os nossos profissionais. Temos que ter um diálogo muito forte sobre a carreira dos professores e sobre como qualificar a formação continuada.”
A proposta apresentada relaciona diretamente valorização profissional e qualidade do ensino.
Na avaliação do secretário, oferecer condições adequadas aos educadores não constitui um objetivo isolado. Deve resultar também na melhoria daquilo que acontece dentro da sala de aula.
Infraestrutura e alimentação devem servir à aprendizagem
Tiago também defendeu investimentos em infraestrutura e alimentação escolar, mas fez uma ponderação: todas essas políticas precisam estar conectadas ao desenvolvimento educacional.
“Nós temos que ter uma carreira bem valorizada, infraestrutura adequada e alimentação adequada, mas tudo isso serve a um propósito: o desenvolvimento e a aprendizagem das nossas crianças.”
A declaração estabelece uma espécie de critério para a nova administração: investimentos da Secretaria de Educação deverão ser avaliados também pelo impacto produzido na trajetória dos estudantes.
DF possui responsabilidade diferenciada pela educação básica
Outro aspecto destacado durante a entrevista foi a estrutura particular da educação pública brasiliense.
Nos estados, a responsabilidade pela educação básica costuma ser dividida entre municípios e governos estaduais. O Distrito Federal, por não possuir municípios, concentra uma trajetória educacional muito mais extensa dentro da mesma rede.
Na prática, isso permite que uma criança ingresse ainda na educação infantil e permaneça vinculada à rede pública distrital até a conclusão do ensino médio.
Para Tiago, essa característica oferece uma oportunidade de planejamento de longo prazo, mas também aumenta a responsabilidade da Secretaria de Educação sobre os resultados.
Políticas adotadas nos primeiros anos da vida escolar podem acompanhar o estudante durante praticamente toda a educação básica.
Gestão pretende observar experiências de outros estados
O secretário também deixou claro que não pretende partir do zero para buscar soluções.
Segundo Tiago, existem experiências nacionais e internacionais que já demonstraram resultados e podem servir de referência para o Distrito Federal.
“O primeiro ponto é não inventar a roda. Hoje, o Brasil e o mundo já sabem o que precisa ser feito. O desafio é como fazer e fazer acontecer.”
Ele mencionou Ceará, Goiás e Paraná como exemplos de estados que possuem experiências educacionais consideradas positivas.
A intenção, segundo o secretário, não é simplesmente copiar programas, mas identificar iniciativas que funcionaram e adaptá-las às características da rede brasiliense.
Currículo em Movimento também entra na discussão
O Currículo em Movimento, utilizado pela rede pública do DF, também deverá fazer parte da estratégia.
Tiago defendeu que o currículo seja analisado para identificar maneiras de potencializar a aprendizagem.
A proposta coloca o conteúdo pedagógico ao lado de outras frentes anunciadas, como ensino integral e formação continuada.
Isso significa que a resposta aos resultados educacionais não deverá ficar concentrada em uma única política.
A estratégia apresentada pelo secretário combina tempo dentro da escola, qualidade dos profissionais, currículo, infraestrutura e acompanhamento da aprendizagem.
Desafio agora será transformar discurso em resultado
A chegada de um novo secretário naturalmente produz expectativas, especialmente em um momento no qual os indicadores educacionais estão sob discussão.
Tiago apresentou uma direção clara: colocar a aprendizagem como finalidade das demais políticas da Secretaria.
A partir de agora, porém, começa uma etapa mais complexa.
Será necessário transformar as prioridades anunciadas em metas mensuráveis, definir o ritmo de expansão das escolas em tempo integral, estabelecer políticas de formação dos profissionais e acompanhar se essas mudanças efetivamente produzem evolução no desempenho dos estudantes.
O próprio secretário resumiu o desafio ao afirmar que muitas das soluções educacionais já são conhecidas.
A questão, agora, será fazê-las acontecer dentro das escolas do Distrito Federal.




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