Ibovespa bate recorde e dólar fecha a R$ 5 após resultado do primeiro turno

Bolsa brasileira avança 7,70%, supera pela primeira vez os 200 mil pontos e reflete expectativa do mercado com a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula

Metrópoles
Ibovespa bate recorde e dólar fecha a R$ 5 após resultado do primeiro turno Ibovespa fecha aos 206.911 pontos e dólar recua para R$ 5,001 após o primeiro turno das eleições.

O mercado financeiro brasileiro encerrou esta segunda-feira (5) em forte valorização após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira, avançou 7,70% e fechou aos 206.911 pontos, maior nível de encerramento da história.

Durante o pregão, o índice chegou aos 209.605 pontos, com valorização de 9,10%. Foi a primeira vez que a Bolsa ultrapassou a marca de 200 mil pontos, tanto em valores nominais quanto em termos corrigidos pela inflação.

O dólar comercial seguiu o caminho inverso. A moeda norte-americana caiu 4,11% e encerrou o dia cotada a R$ 5,001. Foi a maior desvalorização diária desde 2018 e o menor patamar registrado em cinco meses. www1.folha.uol.com.br

Resultado eleitoral surpreendeu investidores

A reação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da eleição presidencial com 47,03% dos votos válidos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 45,16%.

Os dois candidatos disputarão o segundo turno em 25 de outubro. O desempenho de Flávio foi superior ao indicado por parte das pesquisas divulgadas antes da votação, o que provocou uma rápida reavaliação dos ativos brasileiros.

Investidores passaram a considerar maiores as possibilidades de alternância de poder e de adoção de uma política econômica voltada ao controle das despesas públicas, redução do endividamento e aprovação de reformas.

A formação de um Congresso com presença ampliada de parlamentares de direita e centro-direita também influenciou as negociações. Na avaliação do mercado, essa composição poderia facilitar a aprovação de medidas econômicas em uma eventual administração de Flávio. reuters.com

Juros futuros também recuaram

Além da valorização da Bolsa e da queda do dólar, as taxas dos contratos de juros futuros registraram forte recuo. Esse movimento ocorre quando investidores passam a enxergar menor risco fiscal ou uma perspectiva de inflação mais controlada no médio e no longo prazo.

Taxas futuras mais baixas costumam favorecer empresas que dependem do crédito e do consumo, como varejistas, construtoras e companhias do setor de tecnologia.

O desempenho também indica uma redução temporária da percepção de risco sobre os investimentos no Brasil. No exterior, o ETF EWZ, que reúne ações brasileiras negociadas em Nova York, avançou 12,57%. economia.uol.com.br

Bancos e varejistas lideraram ganhos

Entre as ações de maior destaque, Magazine Luiza subiu 24,83%, Lojas Renner avançou 15,39% e Banco do Brasil registrou valorização de 13,19%.

Bradesco ganhou 12,32%, enquanto Itaú subiu 9,97%. A Petrobras também teve um desempenho expressivo, com alta de 8,09%, favorecida pela melhora do ambiente doméstico e por notícias relacionadas às atividades de exploração de petróleo.

A valorização dos bancos reflete a expectativa de melhora nas condições econômicas e possível redução da pressão sobre as taxas de juros. Já as empresas varejistas costumam responder mais rapidamente às projeções de crédito mais barato e aumento do consumo. www1.folha.uol.com.br

Recorde exige cautela

Embora a reação tenha sido positiva, o desempenho desta segunda-feira representa uma avaliação momentânea do mercado, e não uma garantia de continuidade dos ganhos.

O Brasil ainda enfrenta desafios fiscais relevantes. A dívida pública está próxima de 83% do Produto Interno Bruto, e as despesas obrigatórias reduzem o espaço disponível para investimentos e políticas públicas.

Flávio Bolsonaro ainda não apresentou um plano econômico detalhado que permita avaliar como pretende controlar gastos, administrar a dívida e conciliar responsabilidade fiscal com as demandas sociais.

Lula, por sua vez, deverá buscar recuperar a confiança de investidores durante o segundo turno. Sua campanha enfrenta questionamentos sobre o crescimento das despesas públicas e a sustentabilidade da política fiscal.

A movimentação da Bolsa também pode sofrer correções nos próximos pregões, principalmente após uma alta tão intensa em apenas um dia. Parte dos investidores pode vender ações para realizar os lucros obtidos.

O que muda para o consumidor?

A queda do dólar pode ajudar a reduzir custos de produtos importados, combustíveis, medicamentos, componentes eletrônicos e viagens internacionais. O efeito, porém, não é imediato e depende da manutenção da moeda em patamares mais baixos.

A valorização do real também pode contribuir para conter a inflação, especialmente em produtos que utilizam matérias-primas negociadas internacionalmente.

No crédito, a redução dos juros futuros pode melhorar as expectativas para financiamentos e empréstimos. Isso não significa, entretanto, que as taxas cobradas dos consumidores cairão imediatamente, pois elas também dependem da política do Banco Central, do risco de inadimplência e das condições da economia.

O pregão desta segunda-feira representa uma reação clara ao resultado eleitoral, mas o comportamento dos ativos até o segundo turno continuará sujeito às propostas econômicas, às alianças políticas e às sinalizações dadas por Flávio Bolsonaro e Lula.




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