Celina Leão descarta reajuste salarial parcelado e promete negociar aumento com cada categoria do DF

Em entrevista ao Metrópoles, governadora critica o modelo de reajuste linear de 18% concedido na gestão de Ibaneis Rocha e afirma que pretende avaliar as necessidades de cada carreira antes de discutir novos aumentos.

Metrópoles
Celina Leão descarta reajuste salarial parcelado e promete negociar aumento com cada categoria do DF Celina Leão descartou a adoção de reajustes salariais parcelados nos moldes da gestão de Ibaneis Rocha e afirmou que pretende negociar carreira por carreira com os servidores públicos do Distrito Federal.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta terça-feira (27) que não pretende adotar um modelo de reajuste salarial parcelado para os servidores públicos nos moldes utilizados pelo ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). Em entrevista ao Metrópoles, ela defendeu negociações específicas com cada categoria do funcionalismo e disse que pretende avaliar quais carreiras ficaram para trás nas políticas de valorização salarial.

A declaração sinaliza uma mudança de abordagem na condução das negociações com o funcionalismo público do Distrito Federal. Em vez de aplicar um percentual uniforme a todos os servidores, Celina afirmou que pretende analisar as diferenças entre as carreiras, considerando o histórico de reajustes recebido por cada grupo.

A governadora criticou o aumento linear de 18% concedido durante a gestão anterior. Segundo ela, a medida beneficiou o conjunto dos servidores, mas não considerou adequadamente as diferenças salariais acumuladas ao longo dos anos entre as categorias. 

Por que Celina critica o reajuste de 18% concedido por Ibaneis?

Ao comentar a política salarial do antecessor, Celina argumentou que conceder o mesmo percentual a todas as categorias pode produzir resultados desiguais, especialmente quando algumas carreiras passaram muitos anos sem reajuste, enquanto outras receberam aumentos mais recentemente.

Na avaliação da governadora, a política anterior teve importância por alcançar o conjunto do funcionalismo, mas deixou diferenças que precisam ser consideradas em futuras negociações.

“Vou tratar carreira por carreira, ver quais ficaram para trás”, afirmou Celina na entrevista ao Metrópoles. 

A declaração coloca no centro do debate a necessidade de conciliar a recomposição salarial dos servidores com as particularidades de cada carreira. Para os trabalhadores, a questão é saber quais categorias poderão ter prioridade, quais critérios serão utilizados e se haverá previsão concreta para os próximos reajustes.

Reajuste anunciado não significa aumento garantido

Apesar de defender negociações individualizadas, Celina não apresentou, na entrevista publicada, percentuais de aumento, calendário de negociações ou uma lista de categorias que serão atendidas primeiro.

Portanto, a fala representa uma orientação política para as futuras tratativas, e não o anúncio de um reajuste já aprovado.

Para que os aumentos se concretizem, será necessário conhecer as propostas do governo, a disponibilidade orçamentária, os impactos sobre as despesas com pessoal e os procedimentos legais aplicáveis a cada carreira.

Esse aspecto é relevante porque o Governo do Distrito Federal publicou, em abril de 2026, o Decreto nº 48.509, que determinou medidas de revisão de despesas e suspendeu determinadas iniciativas que aumentassem os gastos com pessoal, ressalvadas as exceções previstas na própria norma. 

A compatibilidade entre a política de valorização dos servidores e as restrições fiscais será, portanto, um dos pontos a acompanhar nas próximas decisões do Executivo.

O que muda para os servidores públicos do Distrito Federal?

A proposta de negociar carreira por carreira pode beneficiar categorias que considerem insuficientes os reajustes recebidos anteriormente. Ao mesmo tempo, esse modelo exige transparência para evitar que as negociações se tornem desiguais ou sem critérios claros.

Entre os pontos que merecem acompanhamento estão:

- Critérios de prioridade: quais carreiras serão consideradas mais defasadas e como isso será medido.

- Calendário de negociações: quando o governo pretende abrir as conversas com sindicatos e representantes dos servidores.

- Impacto financeiro: quais aumentos caberiam no orçamento do DF.

- Previsão legal: quais medidas dependerão de projetos de lei, autorizações orçamentárias ou outras providências administrativas.

- Transparência: como o governo apresentará os critérios e os resultados das negociações.

Sem essas definições, ainda não é possível estimar quais categorias terão aumento, quanto poderão receber ou quando eventuais reajustes entrariam em vigor.

Análise editorial: o desafio será transformar o discurso em propostas concretas

A declaração de Celina Leão abre espaço para uma discussão importante sobre a política remuneratória do funcionalismo público: tratar igualmente todos os servidores nem sempre significa considerar as diferenças entre carreiras, mas negociar individualmente também exige critérios objetivos e transparência.

O governo precisará demonstrar como identificará as defasagens salariais, quais prioridades serão adotadas e de que forma as medidas poderão ser financiadas.

O principal ponto de atenção é este: Celina sinalizou uma mudança na forma de negociar, mas ainda não anunciou um calendário nem valores de novos reajustes. A efetividade da proposta dependerá das medidas concretas que forem apresentadas.




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