Renda média das famílias brasileiras bate recorde histórico e chega a R$ 2.264 em 2025
Dados do IBGE mostram crescimento real da renda pelo quarto ano seguido, mas desigualdade social e endividamento ainda preocupam economistas
Pesquisa do IBGE aponta que renda média das famílias brasileiras atingiu o maior valor da série histórica em 2025. A renda média mensal das famílias brasileiras atingiu o maior nível já registrado desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), iniciada em 2012. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento domiciliar per capita chegou a R$ 2.264 em 2025, representando crescimento real de 6,9% em relação ao ano anterior.
O resultado reforça uma sequência de recuperação econômica iniciada após os impactos mais severos da pandemia. De acordo com o levantamento, este é o quarto ano consecutivo de alta na renda das famílias brasileiras. Em 2021, auge dos reflexos econômicos da covid-19, o rendimento médio havia recuado para R$ 1.692. Agora, o país supera inclusive os níveis pré-pandemia registrados em 2019.
Os números divulgados pelo IBGE também mostram avanço na massa total de rendimentos do trabalho, que alcançou R$ 361,7 bilhões em 2025, maior valor da série histórica. O rendimento médio mensal de todas as fontes chegou a R$ 3.367 por pessoa, também em patamar recorde.
Apesar da melhora nos indicadores, os dados expõem uma desigualdade estrutural persistente no país. Enquanto os 10% mais ricos tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa, os 40% mais pobres registraram média de apenas R$ 663. A diferença entre os grupos chegou a 13,8 vezes.
O cenário econômico apresenta ainda outro alerta: o crescimento da renda não impediu o avanço do endividamento das famílias brasileiras. Levantamentos recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que mais de 80% das famílias possuem algum tipo de dívida, maior índice da série histórica da pesquisa.
Especialistas observam que o aumento da renda ajuda no consumo e movimenta setores como comércio e serviços, mas o alto custo do crédito e os juros elevados continuam pressionando o orçamento doméstico. Atualmente, muitas famílias comprometem cerca de 30% da renda mensal com dívidas, principalmente no cartão de crédito.
Outro dado relevante da pesquisa mostra que cerca de 18 milhões de famílias brasileiras receberam algum tipo de auxílio governamental em 2025, o equivalente a 22,7% dos domicílios do país.
No Distrito Federal, o rendimento domiciliar segue entre os maiores do Brasil. Dados divulgados anteriormente pelo IBGE apontaram renda per capita de R$ 4.538 no DF, mais que o dobro da média nacional.
Economistas avaliam que os próximos meses serão decisivos para saber se o crescimento da renda será sustentável diante do cenário de juros altos, inflação persistente e aumento do custo de vida em áreas essenciais como alimentação, moradia e energia.




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