Canadenses são isolados após surto de hantavírus em navio de cruzeiro no Atlântico
Autoridades internacionais monitoram passageiros após mortes e suspeita de transmissão rara entre humanos a bordo do MV Hondius
Navio MV Hondius permanece sob monitoramento internacional após mortes e casos confirmados de hantavírus durante cruzeiro no Atlântico. Três cidadãos canadenses foram colocados em isolamento preventivo após o surto de hantavírus registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que navega pelo Oceano Atlântico. O caso mobiliza autoridades sanitárias internacionais depois da confirmação de mortes e da suspeita de transmissão rara entre pessoas em ambiente fechado.
O surto ocorre em meio a uma operação internacional de rastreamento de passageiros e tripulantes que tiveram contato com pessoas infectadas durante a viagem. Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), ao menos cinco casos já foram confirmados e outros seguem sob investigação. Três mortes relacionadas ao vírus foram registradas até o momento.
O navio MV Hondius partiu da Argentina no início de abril e ficou sob monitoramento após passageiros apresentarem sintomas respiratórios graves durante a travessia. O primeiro óbito ocorreu ainda a bordo, envolvendo um passageiro holandês. Posteriormente, sua esposa também morreu após desembarcar na África do Sul.
Autoridades sanitárias acreditam que o surto esteja ligado à cepa andina do hantavírus, considerada a única variante conhecida com possibilidade de transmissão entre humanos, embora esse tipo de contágio seja raro. A hipótese mais provável é que um passageiro tenha embarcado já contaminado após contato anterior com áreas rurais da América do Sul.
O hantavírus normalmente é transmitido pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores contaminados. A doença pode provocar febre, dores musculares, fadiga intensa e evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave. Em casos severos, a taxa de mortalidade pode ultrapassar 30%.
A situação gerou alerta internacional devido ao deslocamento de passageiros para diversos países após desembarques anteriores realizados durante a rota marítima. Governos da Europa, América do Norte e África iniciaram protocolos de rastreamento epidemiológico para monitorar possíveis contatos.
A OMS afirmou que o risco de uma pandemia global é considerado baixo neste momento, mas reforçou a necessidade de vigilância sanitária e isolamento dos casos suspeitos. Passageiros seguem sendo acompanhados por equipes médicas enquanto o navio tenta concluir a operação de desembarque nas Ilhas Canárias, na Espanha.
O caso reacendeu discussões sobre protocolos sanitários em cruzeiros internacionais, especialmente após os impactos globais provocados pela pandemia de covid-19. Especialistas avaliam que ambientes confinados e longos períodos de convivência podem favorecer disseminação de doenças infecciosas raras.
No Brasil, o hantavírus já registrou cerca de 2,4 mil casos desde 1993, segundo dados do Ministério da Saúde. A maior parte das infecções ocorre em áreas rurais com presença de roedores silvestres.




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