Super El Niño acende alerta para queimadas no DF e Corpo de Bombeiros reforça prevenção no Cerrado

Possibilidade de mais de 90% para ocorrência do fenôeno preocupa especialistas e autoridades ambientais no Distrito Federal

Vozes da comunidade
Super El Niño acende alerta para queimadas no DF e Corpo de Bombeiros reforça prevenção no Cerrado O Corpo de Bombeiros do DF alerta para risco de aumento das queimadas com possível avanço do El Niño em 2026. O tema foi debatido no quadro Sabatinão, do programa Vozes da Comunidade.

O possível avanço do fenômeno climático El Niño em 2026 já coloca órgãos ambientais e forças de segurança em estado de atenção no Distrito Federal. Durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, no quadro Sabatinão , o comandante do Grupamento de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar do DF, tenente-coronel Bruno Almeida Marcelino Costa, explicou os impactos esperados para o Cerrado e destacou as estratégias de prevenção adotadas antes mesmo do início do período crítico de incêndios florestais.

Segundo o comandante, os centros especializados em meteorologia apontam mais de 90% de possibilidade de formação do fenômeno El Niño, mas ainda existe incerteza sobre a intensidade do evento climático e seus efeitos diretos no Centro-Oeste brasileiro.

“O que se apresenta até agora é uma grande possibilidade de ocorrência do El Niño. A grande questão agora é qual será a intensidade dele”, explicou.

O El Niño ocorre a partir do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico e altera padrões climáticos em diferentes partes do planeta. No Brasil, os efeitos normalmente provocam aumento das chuvas na Região Sul e períodos mais prolongados de estiagem no Centro-Oeste e no Norte do país.

Cerrado sofre pressão crescente com queimadas recorrentes

O comandante alertou que o Cerrado já enfrenta impactos provocados pela ação humana e pelo aumento da frequência dos incêndios.

De acordo com ele, o fogo faz parte do ciclo natural do bioma, mas o problema está na repetição constante dos incêndios em intervalos cada vez menores.

“Um fogo que aconteceria naturalmente a cada quatro ou cinco anos passa a acontecer todos os anos. Isso empobrece o solo e provoca perda de biodiversidade”, destacou.

A preocupação aumenta diante da possibilidade de uma estiagem mais severa em 2026, cenário que pode favorecer a propagação rápida de incêndios florestais em áreas de vegetação seca.

Manejo integrado do fogo é estratégia para reduzir danos ambientais

Durante a entrevista, o comandante explicou que nem todo uso do fogo é considerado criminoso. Em determinadas situações, o chamado manejo integrado do fogo é utilizado como ferramenta de gestão ambiental por órgãos especializados.

Segundo ele, unidades de conservação e instituições ambientais realizam queimadas controladas em períodos estratégicos do ano, quando a vegetação ainda mantém umidade suficiente para evitar danos severos ao solo e à fauna.

A técnica cria áreas previamente queimadas que funcionam como barreiras naturais durante incêndios de grandes proporções.

“Quando o fogo passa por uma região manejada anteriormente, aquela área já não possui a mesma carga de combustível vegetal. Isso ajuda tanto no combate quanto na proteção dos animais”, explicou.

O encerramento do período de manejo acontece antes da intensificação da seca. A partir daí, o uso do fogo passa a ser desencorajado e pode ser proibido oficialmente pelo Governo do Distrito Federal.

Corpo de Bombeiros alerta população sobre queimadas urbanas

O Corpo de Bombeiros também reforçou o alerta para práticas comuns que acabam provocando incêndios ambientais, principalmente durante o período seco.

A limpeza de terrenos utilizando fogo, queima de restos de poda, descarte irregular de lixo e incêndios próximos a áreas de vegetação estão entre as principais causas de ocorrências registradas no DF.

“Daqui para frente, a recomendação é não utilizar fogo para limpeza de entulho ou restos vegetais. Muitas vezes a pessoa perde o controle rapidamente e isso gera incêndios de grandes proporções”, alertou o comandante.

Investigação diferencia queimadas controladas, acidentais e criminosas

As equipes ambientais também atuam na identificação das causas dos incêndios registrados no Distrito Federal.

Segundo o Corpo de Bombeiros, existem diferenças técnicas entre queimadas autorizadas para manejo ambiental, incêndios acidentais e ações criminosas provocadas intencionalmente.

Casos suspeitos podem envolver perícia, denúncias da população, monitoramento ambiental e atuação integrada com órgãos de fiscalização e segurança pública.

O objetivo é identificar responsabilidades e reduzir danos ambientais em um período que promete ser um dos mais desafiadores para o Cerrado nos últimos anos.

Especialistas temem temporada crítica de incêndios em 2026

O possível fortalecimento do El Niño preocupa pesquisadores, ambientalistas e equipes de emergência devido ao histórico recente de secas extremas e aumento dos focos de calor no país.

Com temperaturas mais elevadas, baixa umidade do ar e vegetação ressecada, o risco de incêndios florestais cresce significativamente no Planalto Central.

Enquanto os modelos climáticos continuam sendo monitorados, o Corpo de Bombeiros afirma que trabalha desde já no planejamento operacional para enfrentar um possível cenário crítico durante a próxima temporada de estiagem.





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