“O BRB precisa recuperar cada centavo”, diz sindicalista sobre crise envolvendo Banco Master
Cristiano Severo afirma que empregados adoeceram durante gestão anterior e cobra responsabilização após denúncias envolvendo operações financeiras
Cristiano Severo afirma que servidores do BRB viveram medo, pressão e adoecimento durante crise envolvendo o banco. As denúncias e investigações envolvendo operações financeiras ligadas ao Banco Master continuam repercutindo dentro e fora do Banco de Brasília (BRB). Durante entrevista ao programa *Vozes da Comunidade*, no quadro *Sabatinão*, o bancário, servidor do BRB e sindicalista Cristiano Severo afirmou que o clima interno da instituição foi profundamente abalado durante o período mais crítico da crise.
Segundo ele, funcionários viveram um cenário de medo, pressão psicológica e insegurança diante das decisões tomadas pela antiga gestão do banco.
“O clima interno começou a se deteriorar por completo”, afirmou.
“Assédio moral virou ferramenta de gestão”
Durante a entrevista, Cristiano fez duras críticas à condução administrativa da antiga direção do BRB e afirmou que o assédio moral teria sido institucionalizado dentro da instituição.
Segundo ele, trabalhadores eram submetidos a forte pressão para aprovar operações financeiras em prazos considerados incompatíveis com os protocolos técnicos de segurança e análise bancária.
“Os analistas recebiam processos complexos e ouviam que aquilo precisava ser aprovado até cinco horas da tarde, quando o prazo normativo era de cinco dias”, relatou.
O sindicalista afirmou ainda que empregados resistiam às pressões, mas acabavam sofrendo perseguições internas e desgaste emocional constante.
Sindicato aponta adoecimento em massa de trabalhadores
Cristiano Severo também declarou que o Sindicato dos Bancários realizou denúncias desde o início da gestão de Paulo Henrique Costa, apontando práticas consideradas abusivas dentro do banco.
Segundo ele, os impactos emocionais sobre os trabalhadores foram severos.
“Um terço do banco chegou a estar afastado por doenças psicossomáticas e emocionais durante aquela gestão”, afirmou.
O sindicalista classificou o ambiente interno como “corrosivo” e comparou os efeitos da gestão a uma “radiação” que atingia os empregados.
“Quanto mais perto daquela estrutura de poder, mais as pessoas adoeciam”, declarou.
Operações levantaram suspeitas dentro do banco
Durante a entrevista, Cristiano afirmou que operações financeiras envolvendo altos valores já despertavam preocupação dentro da instituição desde o início.
Segundo ele, algumas propostas rejeitadas por outras instituições financeiras acabavam avançando dentro do BRB em circunstâncias que posteriormente passaram a ser questionadas pelas investigações.
Ele também citou suspeitas envolvendo vantagens indevidas e possíveis irregularidades administrativas que hoje fazem parte de apurações conduzidas pelas autoridades competentes.
Governança e compliance entram no centro do debate
Após a crise, o sindicalista defendeu mudanças profundas nos mecanismos internos de fiscalização, controle e proteção institucional do banco.
Segundo ele, o BRB precisará fortalecer políticas de governança, compliance e proteção aos empregados para evitar novos episódios semelhantes.
“Nós precisamos criar mecanismos robustos para que os trabalhadores tenham respaldo técnico e institucional para resistirem a qualquer pressão”, afirmou.
“O dinheiro precisa voltar para Brasília”
Cristiano Severo afirmou ainda que a prioridade agora deve ser a responsabilização dos envolvidos e a recuperação dos recursos eventualmente desviados.
Para ele, o prejuízo não atingiu apenas o banco, mas diretamente a população do Distrito Federal.
“O que foi roubado não foi apenas do BRB. Foi de Brasília. Foi da população do Distrito Federal”, declarou.
Segundo ele, o fortalecimento recente do banco, após o acordo validado no STF, ajudou a devolver parte da confiança de clientes e empregados, mas o processo de reconstrução institucional ainda está em andamento.
Funcionários relatam alívio após acordo no STF
O sindicalista afirmou que o ambiente nas agências começou a mudar após a confirmação do acordo de capitalização do banco.
Clientes que planejavam retirar recursos da instituição passaram a manter contas e aplicações, enquanto empregados relataram sensação de alívio após meses de insegurança.
“As ações começaram a subir, os clientes voltaram e os trabalhadores começaram a respirar novamente”, afirmou.
A entrevista completa foi exibida no programa Vozes da Comunidade, dentro do quadro Sabatinão, que debate temas políticos, econômicos e sociais relevantes para o Distrito Federal.




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