Gênero, raça e origem familiar ainda limitam a mobilidade social no Brasil, aponta estudo
Atlas revela que desigualdades persistem e reduzem as chances de ascensão econômica entre gerações
Estudo aponta que gênero, raça e origem familiar continuam influenciando as oportunidades de ascensão social no Brasil. Um estudo divulgado nesta sexta-feira (31) mostra que gênero, raça e origem familiar continuam sendo fatores decisivos para as oportunidades de mobilidade social no Brasil. Os dados revelam que o local onde a pessoa nasce, a renda da família e características como sexo e raça influenciam diretamente as chances de melhorar de condição econômica ao longo da vida.
O levantamento integra o Atlas da Mobilidade Social, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab. A pesquisa analisa a relação entre a renda dos pais e a renda alcançada pelos filhos na vida adulta, evidenciando que a desigualdade de oportunidades permanece elevada no país.
Entre os principais resultados, o estudo aponta que filhos de famílias que pertencem aos 25% mais pobres da população têm cerca de 48% de probabilidade de permanecer na mesma faixa de renda quando chegam à vida adulta. Em contrapartida, apenas 8,32% conseguem alcançar o grupo dos 25% mais ricos, enquanto somente 1,28% chegam ao grupo dos 10% com maior renda do país.
A pesquisa também mostra que mulheres e pessoas negras enfrentam obstáculos maiores para ascender socialmente quando comparadas aos homens brancos, mesmo em situações semelhantes de escolaridade e renda familiar. Segundo os pesquisadores, esses fatores refletem desigualdades históricas que continuam influenciando o acesso à educação, ao mercado de trabalho e às melhores oportunidades profissionais.
Os autores defendem que políticas públicas voltadas à redução das desigualdades educacionais, ao combate à discriminação e à ampliação das oportunidades econômicas são fundamentais para aumentar a mobilidade social e reduzir a transmissão da pobreza entre gerações.




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