TSE recebe mais de mil denúncias de irregularidades nos primeiros dias da campanha eleitoral
Sistema Pardal contabiliza 1.103 registros relacionados às Eleições 2026; São Paulo lidera número de ocorrências encaminhadas à Justiça Eleitoral
O TSE recebeu 1.103 denúncias de possíveis irregularidades nos primeiros dias da campanha eleitoral de 2026. São Paulo lidera os registros encaminhados pelo Pardal. As denúncias ainda precisam ser analisadas pela Justiça Eleitoral. A campanha para as Eleições 2026 começou acompanhada de intensa fiscalização dos próprios eleitores. Em poucos dias, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 1.103 denúncias de possíveis irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral por meio do aplicativo Pardal.
O levantamento, atualizado até esta quarta-feira (19), mostra que São Paulo concentra o maior número de registros, com 193 denúncias. Pernambuco aparece em seguida, com 106, enquanto o Paraná contabiliza 102 ocorrências. Rio Grande do Sul, com 95, e Minas Gerais, com 89, completam os cinco estados com maior volume registrado até o momento.
Os números mostram que a fiscalização da propaganda eleitoral começou praticamente junto com a campanha e deverá acompanhar candidatos, partidos e eleitores até outubro.
O que é o Pardal?
O Pardal é uma ferramenta disponibilizada pela Justiça Eleitoral para que cidadãos comuniquem possíveis infrações e irregularidades envolvendo propaganda eleitoral.
Os registros encaminhados pela população não significam, por si só, que uma irregularidade tenha efetivamente ocorrido. A denúncia funciona como uma comunicação à Justiça Eleitoral, que deverá analisar as informações e adotar as providências cabíveis quando houver elementos que indiquem descumprimento das normas.
Essa distinção é fundamental: 1.103 denúncias não equivalem a 1.103 infrações comprovadas.
Propaganda eleitoral tem regras específicas
Com o início oficial da campanha, candidatos e partidos podem realizar diferentes modalidades de propaganda, mas precisam respeitar as normas estabelecidas pela legislação e pelas resoluções eleitorais.
As regras alcançam tanto ações realizadas nas ruas quanto conteúdos publicados na internet.
A regulamentação eleitoral também estabelece obrigações específicas para plataformas digitais e contempla situações envolvendo conteúdos manipulados ou produzidos com inteligência artificial. A Resolução nº 23.610, atualizada para as Eleições 2026, contém regras relacionadas à propaganda eleitoral e ao ambiente digital.
Inteligência artificial ganha atenção especial em 2026
A campanha deste ano também ocorre em um ambiente tecnológico diferente das eleições anteriores.
O avanço das ferramentas capazes de produzir imagens, áudios e vídeos extremamente realistas ampliou a preocupação com conteúdos manipulados.
O TSE atualizou suas regras para as Eleições 2026 e estabeleceu normas específicas para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, incluindo requisitos relacionados à identificação de determinados conteúdos sintéticos ou modificados digitalmente.
A medida busca permitir o uso legítimo da tecnologia sem abrir espaço para manipulações capazes de comprometer a informação recebida pelo eleitor.
São Paulo lidera denúncias
A distribuição inicial das ocorrências mostra concentração nos estados com grandes contingentes eleitorais, embora o número absoluto de denúncias não seja suficiente para concluir que determinado estado tenha proporcionalmente mais irregularidades.
Até o levantamento divulgado pelo TSE, os maiores números eram:
- São Paulo: 193
- Pernambuco: 106
- Paraná: 102
- Rio Grande do Sul: 95
- Minas Gerais: 89
Esses dados representam registros encaminhados ao sistema, e não condenações ou decisões definitivas da Justiça Eleitoral.
Fiscalização deve aumentar até outubro
A tendência é que o volume de denúncias cresça conforme a campanha avance e a presença dos candidatos nas ruas e nas redes sociais aumente.
Além das formas tradicionais de propaganda, a eleição de 2026 deverá exigir atenção especial ao ambiente digital, principalmente diante da velocidade de circulação de vídeos, imagens e conteúdos produzidos ou modificados com ferramentas de IA.
O próprio TSE disponibilizou orientações aos eleitores sobre propaganda eleitoral, canais de denúncia e combate à desinformação.
Nesse cenário, o Pardal funciona como um instrumento de participação do cidadão na fiscalização eleitoral, enquanto cabe à Justiça Eleitoral avaliar cada ocorrência e determinar se houve ou não violação das regras.
O primeiro balanço da campanha deixa, portanto, dois números importantes: mais de mil denúncias em poucos dias, mas nenhuma delas deve ser automaticamente tratada como irregularidade comprovada antes da análise das autoridades competentes.




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