PF aponta suspeita de gestão fraudulenta de ex-diretores do BRB em operações com Banco Master
Relatório da Polícia Federal sustenta que integrantes da antiga cúpula do banco teriam participado conscientemente de operações envolvendo carteiras de crédito sob suspeita; investigação ainda está em andamento e não representa condenação
PF aponta indícios de gestão fraudulenta envolvendo ex-dirigentes do BRB em negócios com o Banco Master. Investigação continua e não há condenação definitiva. A investigação sobre os negócios entre o Banco de Brasília e o Banco Master ganhou um novo capítulo com a divulgação de documentos da Operação Compliance Zero. Segundo reportagem da coluna Grande Angular, do Metrópoles, a Polícia Federal aponta indícios de que integrantes da antiga direção do BRB teriam praticado gestão fraudulenta nas operações realizadas com a instituição então controlada por Daniel Vorcaro.
As conclusões fazem parte da investigação conduzida pela PF sobre operações financeiras bilionárias entre os dois bancos. O inquérito ainda não foi concluído, e as suspeitas atribuídas aos ex-dirigentes precisam passar pelo Ministério Público e pela Justiça antes de qualquer responsabilização criminal definitiva.
A apuração já vinha avançando sobre integrantes da Diretoria Colegiada do BRB. Em agosto, a PF pediu mais 60 dias para concluir o inquérito justamente porque pretendia ouvir outros diretores que participaram da aprovação das operações com o Master.
PF contesta tese de que BRB teria sido apenas vítima
Um dos pontos mais relevantes da investigação é a interpretação da Polícia Federal sobre o papel desempenhado pelo BRB.
Em relatório anterior encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, investigadores sustentaram que o banco brasiliense teria conhecimento de problemas envolvendo as carteiras negociadas com o Master e, mesmo diante das suspeitas, teria prosseguido com as aquisições.
Na avaliação apresentada pela PF, isso impediria tratar o BRB simplesmente como vítima das operações investigadas. O relatório citado pelo Metrópoles relacionava aproximadamente R$ 12 bilhões em aportes para aquisição de carteiras do Master.
É importante diferenciar, porém, a instituição de seus administradores. A eventual responsabilidade criminal de antigos dirigentes não significa automaticamente responsabilidade da pessoa jurídica BRB.
Essa distinção chegou a ser expressamente reconhecida pela Justiça em decisão de novembro de 2025, quando o banco foi excluído de uma medida de bloqueio patrimonial sob o fundamento de que eventual responsabilidade dos dirigentes não se confundia com a da instituição financeira.
Operações estão sob investigação desde 2025
A Compliance Zero investiga um suposto esquema envolvendo títulos e carteiras de crédito que teriam sido negociados sem o lastro correspondente.
Segundo documentos judiciais divulgados anteriormente, o Master teria adquirido carteiras de crédito e posteriormente negociado ativos com o BRB. A investigação busca determinar quem participou das operações, quais mecanismos de controle foram ignorados e se houve atuação deliberada de dirigentes para permitir os negócios.
A PF também identificou, durante a análise de materiais apreendidos, documentos que apresentariam padrões semelhantes, alterações de registros e problemas de comprovação das carteiras. Os investigadores passaram a trabalhar com a hipótese de existência de uma estrutura destinada a conferir aparência regular a ativos questionados.
Esses elementos integram a tese investigativa da Polícia Federal e ainda estão sujeitos ao contraditório das defesas.
Ex-presidente do BRB está entre os investigados
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa tornou-se uma das figuras centrais da investigação.
Ele está preso desde abril, quando a PF deflagrou uma nova etapa da Compliance Zero. A investigação apura, entre outras suspeitas, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal apontou ainda uma transação envolvendo seis imóveis avaliados em aproximadamente R$ 146,5 milhões, que os investigadores suspeitam estar relacionada ao pagamento de vantagens indevidas.
A defesa dos investigados tem direito de contestar as conclusões policiais, e a existência de relatórios, prisões ou indiciamentos não equivale a condenação.
Auditoria interna também encontrou problemas
Os questionamentos não partiram exclusivamente da Polícia Federal.
O próprio BRB contratou uma auditoria forense conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll, para examinar os negócios realizados com o Master.
Em fevereiro, a instituição informou ter identificado “achados relevantes” na primeira etapa da auditoria e encaminhou o material à Polícia Federal e ao Banco Central.
Posteriormente, relatório da auditoria apontou dirigentes que teriam participado das negociações. Em abril, Celina Leão determinou o afastamento dos citados, argumentando que a medida era necessária para assegurar transparência durante as investigações, preservado o direito ao contraditório.
Dias depois, a governadora também determinou a saída de 12 gestores ligados à administração anterior do BRB, entre diretores e superintendentes.
Investigação ainda não terminou
Apesar do volume de documentos e das medidas já adotadas, a investigação continua aberta.
A PF solicitou recentemente prazo adicional justamente para aprofundar a participação de outros integrantes da antiga Diretoria Colegiada do BRB e colher novos depoimentos.
Isso significa que o quadro apresentado atualmente pode sofrer alterações.
Novos investigados podem surgir, suspeitas podem ser descartadas e as conclusões policiais ainda precisarão passar pela avaliação do Ministério Público e, eventualmente, pelo Poder Judiciário.
O ponto que ganha relevância com os documentos agora conhecidos é que a investigação da Compliance Zero não está concentrada apenas nas supostas irregularidades originadas dentro do Banco Master.
A Polícia Federal também procura determinar até que ponto integrantes da antiga administração do BRB conheciam os problemas das operações, participaram de sua aprovação e poderiam ter responsabilidade pelas decisões que permitiram a movimentação de bilhões de reais.
É justamente essa resposta que deverá definir a dimensão da responsabilidade individual dos antigos dirigentes no caso Master.




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