Nova Xavantina registra 43,3°C e lidera ranking de calor extremo no Brasil
Município de Mato Grosso teve a maior temperatura do país, enquanto nove estados ultrapassaram os 40°C e áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste permaneceram em alerta
Nova Xavantina, em Mato Grosso, registrou a maior temperatura do país durante a atual onda de calor. Nova Xavantina, no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, registrou 43,3°C nesta segunda-feira (28) e alcançou a maior temperatura observada no Brasil durante o atual período de calor extremo.
O resultado representa uma elevação de 1,1°C em apenas um dia. No domingo (27), o município havia marcado 42,2°C. A sequência coloca a cidade no centro da primeira grande onda de calor da primavera de 2026.
Corumbá, em Mato Grosso do Sul, apareceu logo atrás, com máxima de 43,2°C. As duas cidades enfrentaram temperaturas capazes de ampliar os riscos de desidratação, exaustão térmica e insolação.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram que 42 estações meteorológicas registraram temperaturas iguais ou superiores a 40°C na segunda-feira. www1.folha.uol.com.br
Nove estados ultrapassaram os 40°C
O calor não ficou restrito a Mato Grosso. Desde domingo, municípios de nove estados alcançaram ou superaram os 40°C.
Além de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, foram registradas temperaturas nessa faixa em Goiás, Tocantins, Piauí, Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Pará.
O Instituto Nacional de Meteorologia havia alertado que as máximas poderiam superar os 40°C em diferentes áreas do país. O aviso vermelho de onda de calor abrange regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Sul e permanece válido até quarta-feira (30). Avisos
O alerta vermelho representa uma situação de grande perigo. Ele é emitido quando as temperaturas permanecem significativamente acima da média durante vários dias, aumentando os riscos à saúde e pressionando serviços públicos.
Mesmo nos locais que não atendem tecnicamente a todos os critérios de uma onda de calor, os termômetros continuam acima do esperado para o período.
Por que Nova Xavantina esquenta tanto?
Nova Xavantina está localizada em uma região de clima quente, com períodos prolongados de estiagem e baixa umidade. Durante bloqueios atmosféricos, o ar quente permanece concentrado próximo à superfície e dificulta a formação de nuvens e chuvas.
A forte incidência de radiação solar, a pouca cobertura de nuvens e a baixa circulação de massas de ar mais frias também favorecem o aumento das temperaturas.
A combinação entre calor intenso e umidade reduzida faz com que o corpo perca líquidos rapidamente. Além do desconforto, a situação pode provocar ressecamento das vias respiratórias, irritação nos olhos, dor de cabeça e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias.
Áreas urbanas podem sentir efeitos ainda mais fortes. Asfalto, concreto e telhados absorvem calor durante o dia e liberam essa energia lentamente durante a noite, dificultando o resfriamento e formando as chamadas ilhas de calor.
Frente fria deve mudar o tempo
A previsão meteorológica indica que uma nova frente fria deve modificar o padrão atmosférico no centro-sul do Brasil a partir de quarta-feira.
O sistema poderá reduzir as temperaturas em algumas áreas e favorecer a formação de chuvas. A mudança, entretanto, também pode provocar tempestades, rajadas de vento, queda de granizo e alagamentos.
A queda de temperatura não deverá ocorrer da mesma forma em todas as regiões. Enquanto áreas do Sul e do Sudeste poderão ter alívio mais rápido, localidades do Centro-Oeste, Norte e Nordeste ainda poderão enfrentar calor elevado.
A população deve acompanhar os avisos do Inmet e da Defesa Civil, especialmente em municípios com previsão de mudanças bruscas no tempo.
Calor extremo oferece riscos à saúde
Temperaturas acima de 40°C exigem atenção especial porque o organismo precisa trabalhar mais para controlar sua temperatura interna.
Quando o corpo não consegue eliminar o excesso de calor, pode ocorrer exaustão térmica ou insolação. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas são mais vulneráveis.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Fraqueza e cansaço excessivo
- Tontura e dor de cabeça
- Náuseas e câimbras
- Transpiração intensa
- Confusão mental
- Pele quente e seca
- Desmaios ou convulsões
A insolação pode ocorrer quando a temperatura corporal ultrapassa 40°C e o mecanismo de transpiração deixa de funcionar adequadamente. Trata-se de uma emergência médica que pode comprometer o cérebro, o coração, os rins e os músculos. Ministério da Saúde
Em casos de confusão, perda de consciência, convulsões ou temperatura corporal muito elevada, deve-se procurar atendimento imediatamente ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192.
Cuidados durante a onda de calor
O Ministério da Saúde recomenda aumentar a ingestão de água mesmo quando não houver sensação de sede. Bebidas alcoólicas ou com excesso de cafeína devem ser evitadas porque podem favorecer a desidratação.
Também é importante usar roupas leves e claras, procurar ambientes ventilados e evitar atividades físicas intensas nos horários mais quentes.
A exposição direta ao sol deve ser reduzida entre 10h e 16h. Quando for necessário sair, a recomendação é utilizar protetor solar, chapéu ou boné e manter água disponível.
Crianças, idosos e animais nunca devem ser deixados dentro de veículos estacionados. Mesmo com as janelas parcialmente abertas, a temperatura interna do automóvel pode subir rapidamente e provocar uma emergência.
Alimentação leve, com frutas, verduras e refeições de fácil digestão, também ajuda o organismo a enfrentar o calor.
Eventos extremos exigem preparação das cidades
O recorde registrado em Nova Xavantina reforça a necessidade de adaptação das cidades aos períodos de calor intenso.
Ampliação da arborização, criação de áreas sombreadas, disponibilidade de água em espaços públicos e melhoria da ventilação em escolas, unidades de saúde e terminais de transporte são medidas cada vez mais necessárias.
Trabalhadores que permanecem ao ar livre também precisam de pausas, hidratação e equipamentos adequados. A exposição prolongada ao sol sem proteção não deve ser tratada apenas como desconforto, mas como risco ocupacional.
O calor de 43,3°C registrado em Mato Grosso é um alerta que ultrapassa os limites do município. Com eventos extremos mais frequentes, o planejamento urbano e a proteção da população precisarão acompanhar uma realidade climática cada vez mais desafiadora.




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