Mais perdido que cego em tiroteio | Leandro Grass perde a disputa por aliados no DF

Candidato do PT enfrenta isolamento no segundo turno enquanto Celina Leão amplia sua frente política com novas adesões


Mais perdido que cego em tiroteio | Leandro Grass perde a disputa por aliados no DF Leandro Grass enfrenta dificuldades para conquistar novos apoios e ampliar sua candidatura além da esquerda.

O início do segundo turno expôs um problema central na candidatura de Leandro Grass: o petista ainda não conseguiu ampliar sua presença para além do eleitorado tradicional da esquerda.

Grass anunciou que procuraria antigos adversários e tentaria construir uma frente política mais abrangente. O discurso parecia adequado para quem terminou o primeiro turno 255 mil votos atrás de Celina Leão. Na prática, porém, as principais movimentações seguiram na direção contrária.

Kiko Caputo, do Novo, declarou apoio à governadora. Nikolas Ferreira também entrou na mobilização por Celina. Lideranças conservadoras, partidos de centro-direita e grupos ligados ao bolsonarismo demonstram disposição para concentrar forças na candidatura do PP.

Grass recebeu o apoio de Ricardo Cappelli, mas essa adesão fortalece um campo político no qual o petista já possuía presença. O que falta é conquistar o centro, alcançar eleitores liberais e dialogar com quem rejeita tanto o PT quanto a atual gestão.

Resultado das urnas mostrou o tamanho do desafio

Celina terminou o primeiro turno com 825.530 votos, alcançando 49,93% dos válidos. Grass recebeu 569.930 votos, equivalentes a 34,47%.

A governadora ficou somente 168 votos abaixo da vitória imediata. Grass, por outro lado, precisa conquistar mais de 255 mil votos apenas para alcançar a adversária no ponto de partida.

Os números não impedem uma virada, mas demonstram que o candidato do PT necessita de uma campanha muito mais ampla do que a apresentada até agora.

Não será suficiente repetir discursos direcionados aos próprios apoiadores. Quem deseja vencer uma eleição precisa conversar principalmente com quem ainda não está convencido.

A força do antipetismo

Grass também enfrenta a rejeição ao PT no Distrito Federal. O eleitorado local apresentou uma clara inclinação à direita na disputa presidencial e nas eleições para o Senado.

Celina compreendeu esse cenário e passou a organizar o segundo turno em torno de uma frente conservadora. A governadora utiliza a oposição ao PT como instrumento de mobilização e atrai grupos que, embora façam críticas ao seu governo, consideram a alternativa petista menos compatível com suas convicções.

Kiko Caputo representa exatamente esse movimento. Ele não retirou as críticas feitas à gestão, mas reconheceu uma convergência ideológica com Celina e decidiu apoiá-la.

Grass, até agora, não encontrou uma resposta eficiente para essa barreira.

Dependência excessiva de Lula

A proximidade com Lula oferece visibilidade nacional, estrutura partidária e um eleitorado consolidado. Ao mesmo tempo, limita a tentativa de Grass de construir uma identidade independente.

O candidato precisa demonstrar que possui um projeto próprio para o Distrito Federal. Enquanto for percebido apenas como representante local do presidente, terá dificuldades para conquistar eleitores que rejeitam o PT, mas estão abertos a discutir mudanças no governo.

Brasília precisa ouvir propostas detalhadas para a saúde, o transporte público, a segurança, a educação e o BRB. Nacionalizar completamente a disputa pode esconder justamente os temas que mais afetam a população.

Críticas sem solução não bastam

Grass possui motivos legítimos para questionar a administração de Celina. As filas da saúde, a crise do BRB e as deficiências dos serviços públicos precisam ser debatidas.

O problema é que denunciar falhas não equivale a demonstrar capacidade de governar.

O eleitor precisa saber como o candidato pretende financiar novos hospitais, reduzir filas, melhorar o transporte e recuperar a confiança no banco público. Também precisa conhecer a equipe que executaria essas propostas.

Até agora, a candidatura de Grass tem sido mais eficiente para apontar problemas do que para convencer a população de que possui soluções melhores.

Isolamento pode determinar o resultado

O segundo turno exige expansão. Celina está fazendo esse movimento, mesmo que por meio de alianças com antigos críticos. Grass ainda permanece cercado por lideranças pertencentes ao mesmo campo político.

Se não romper esse isolamento, o candidato corre o risco de utilizar o restante da campanha apenas para consolidar uma votação que já possui, sem reunir os votos necessários para vencer.

O resultado não está definido, mas a responsabilidade pela reação pertence a Grass. A ausência de novos apoios não pode ser atribuída somente ao conservadorismo do Distrito Federal. Também revela a dificuldade do próprio candidato para construir confiança fora da esquerda.




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