Congresso acelera votação que pode confirmar fim da “taxa das blusinhas”

MP que zera imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 entra na semana decisiva; indústria critica medida e governo defende benefício ao consumidor

Agência Brasil
Congresso acelera votação que pode confirmar fim da “taxa das blusinhas” Congresso entra em semana decisiva para definir futuro do imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.

O Congresso Nacional entra nesta segunda-feira (31) em uma semana decisiva para definir o futuro da chamada “taxa das blusinhas”, cobrança de Imposto de Importação sobre compras internacionais de pequeno valor realizadas pela internet.

A Medida Provisória 1.357/2026, editada pelo governo federal, zerou a alíquota de 20% do Imposto de Importação incidente sobre remessas internacionais de até US$ 50. Agora, deputados e senadores precisam aprovar definitivamente o texto para que a mudança continue valendo.

Antes de chegar aos plenários, a proposta passa pela comissão mista formada por deputados e senadores. A reunião para análise do relatório da senadora Leila Barros (PDT-DF) está marcada para as 16h desta segunda-feira.

A parlamentar já declarou posição favorável à proposta apresentada pelo governo.

O que muda para quem compra pela internet?

O principal efeito da medida está nas compras feitas em plataformas internacionais.

Desde maio, a MP retirou o Imposto de Importação de 20% das remessas de até US$ 50. Para compras acima desse valor e de até US$ 3 mil, permanece uma alíquota de 30%, acompanhada de desconto fixo de US$ 20 no cálculo do imposto federal.

Isso não significa, entretanto, que toda compra internacional de até US$ 50 tenha ficado completamente livre de tributação. A medida discutida pelo Congresso trata especificamente do Imposto de Importação federal.

Essa distinção é importante para o consumidor porque outros tributos incidentes sobre compras internacionais seguem regras próprias.

MP corre contra o tempo

A votação ganhou urgência porque a MP perde a validade em 8 de setembro caso não seja aprovada pelo Congresso.

Medidas provisórias produzem efeitos imediatamente após sua edição, mas precisam receber aprovação do Legislativo para serem convertidas definitivamente em lei.

O presidente da comissão mista, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), voltou a defender nesta segunda-feira o fim da cobrança para as remessas de pequeno valor. Segundo a Câmara, o texto enviado pelo Executivo recebeu 112 emendas parlamentares.

Entre as propostas apresentadas estão sugestões para ampliar a isenção para US$ 100, limitar o benefício a mercadorias sem similar produzido no Brasil e estabelecer mecanismos de compensação para a indústria nacional.

Governo e indústria divergem sobre medida

A discussão envolve interesses distintos.

O governo sustenta que retirar a tarifa federal das compras de pequeno valor amplia o acesso da população a produtos internacionais e reduz o custo dessas mercadorias para os consumidores.

Parte do setor produtivo brasileiro apresenta posição contrária.

A Confederação Nacional da Indústria argumenta que a tributação das importações ajuda a reduzir uma concorrência considerada desigual entre mercadorias estrangeiras, especialmente provenientes da China, e produtos fabricados no Brasil.

O debate, portanto, ultrapassa o preço de roupas e acessórios vendidos pela internet.

De um lado está o interesse do consumidor em pagar menos. Do outro, empresas brasileiras argumentam que precisam competir com produtos estrangeiros submetidos a estruturas diferentes de produção e tributação.

Proposta mobiliza redes sociais

O assunto também se tornou uma das pautas de maior repercussão popular no Congresso.

Levantamento da própria Câmara mostrou que a MP 1.357/2026 voltou a ocupar o primeiro lugar entre as propostas legislativas com maior engajamento nas redes sociais na última semana.

A expressão “taxa das blusinhas” popularizou a discussão porque uma parcela significativa das remessas de baixo valor está associada às compras realizadas em plataformas internacionais de comércio eletrônico.

O impacto, entretanto, não está limitado às roupas. A regra alcança diferentes mercadorias importadas enquadradas nos critérios da legislação.

Câmara e Senado terão de votar

A análise desta segunda-feira pela comissão mista representa apenas uma das etapas.

Depois da comissão, o texto ainda precisa ser aprovado pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A expectativa informada pela Câmara é que a votação nas duas Casas ocorra durante esta semana de esforço concentrado.

O Congresso tem poucos dias para concluir o processo.

Caso a MP seja aprovada dentro do prazo, o fim do imposto federal sobre as compras internacionais de até US$ 50 poderá ser consolidado na legislação. Se o Congresso não concluir a votação até 8 de setembro, a medida perde a validade.

Até a conclusão das votações, portanto, o resultado ainda não está definido.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.