Ajustes no relatório adiam votação da MP que pode acabar com a “taxa das blusinhas”
Proposta prevê zerar o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50; Congresso tem até 8 de setembro para concluir análise
Ajustes no relatório adiaram a votação da MP que zera o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A votação da Medida Provisória (MP) 1.357/2026, que prevê o fim da chamada “taxa das blusinhas”, enfrentou novo adiamento nesta terça-feira (1º) no Congresso Nacional. A comissão mista responsável pela análise decidiu postergar a deliberação para permitir novos ajustes no relatório elaborado pela senadora Leila Barros (PDT-DF).
A proposta é de grande interesse dos consumidores que realizam compras em plataformas internacionais. A MP prevê zerar o Imposto de Importação de 20% atualmente incidente sobre compras internacionais de até US$ 50.
O problema agora é o calendário. A medida precisa concluir sua tramitação no Congresso até 8 de setembro. Caso contrário, perde a validade.
Negociações atrasam votação
O presidente da comissão mista, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), explicou que parlamentares ainda trabalham nos últimos ajustes do parecer.
A intenção é construir um texto que consiga conciliar dois interesses distintos: de um lado, consumidores interessados em produtos importados mais baratos; do outro, representantes do comércio e da indústria nacional preocupados com a concorrência dos produtos vendidos por plataformas estrangeiras.
A comissão já havia adiado a votação prevista para segunda-feira (31). Nesta terça, novas negociações voltaram a alterar o cronograma.
Segundo Reginaldo Lopes, a expectativa é concluir a análise na comissão e acelerar a tramitação para que a proposta ainda possa chegar aos plenários da Câmara e do Senado.
O que muda com a MP?
A MP 1.357/2026 suspende a cobrança federal de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.
Na prática, caso o texto seja definitivamente aprovado pelo Congresso, a isenção federal para essas compras será mantida.
A medida tem impacto direto sobre consumidores que compram produtos de baixo valor em plataformas internacionais, segmento que cresceu significativamente nos últimos anos.
O tema, porém, também provoca reação do setor produtivo brasileiro.
Representantes da indústria argumentam que empresas nacionais enfrentam uma estrutura tributária e regulatória diferente daquela aplicada a mercadorias estrangeiras, o que pode provocar desequilíbrio concorrencial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, já se manifestou contra a retirada da tributação, enquanto o governo sustenta que a redução beneficia o consumo popular.
Relatório recebeu 112 emendas
A complexidade da negociação também aparece na quantidade de propostas apresentadas pelos parlamentares.
O texto enviado pelo governo recebeu 112 emendas de deputados e senadores.
A relatora Leila Barros precisa analisar as sugestões e definir quais delas serão incorporadas ao parecer submetido à comissão.
Entre as discussões está a criação de mecanismos para acompanhar os efeitos da isenção sobre a economia brasileira. O relatório em negociação prevê avaliações periódicas sobre os impactos da medida, incluindo uma primeira análise após eventual sanção e monitoramentos posteriores.
Proposta ainda precisa passar por Câmara e Senado
Mesmo que seja aprovada pela comissão mista, a MP ainda terá um caminho curto, porém decisivo, pela frente.
O texto precisa passar pelo Plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal.
Somente depois da conclusão dessas etapas a mudança poderá se tornar permanente, observadas as regras constitucionais aplicáveis às medidas provisórias.
O prazo aumenta a pressão sobre os parlamentares porque a MP perde a validade em 8 de setembro.
Além disso, Câmara e Senado realizam nesta semana um esforço concentrado antes das eleições de outubro, o que reduz ainda mais a janela política disponível para concluir a votação.
Governo trata proposta como prioridade
O fim da cobrança está entre as pautas prioritárias negociadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.
Em reunião realizada na semana passada, os três discutiram a aceleração da tramitação de diferentes propostas, incluindo a MP das blusinhas.
A proposta também ganhou relevância política por atingir diretamente consumidores que utilizam plataformas digitais para adquirir roupas, acessórios, eletrônicos e outros produtos de menor valor.
Consumidor precisa aguardar decisão do Congresso
Apesar das discussões sobre o fim da taxa, o consumidor deve ter atenção: o adiamento da votação não significa que o Congresso tenha rejeitado a isenção.
Significa apenas que o relatório ainda está em negociação.
Da mesma forma, o anúncio de um acordo político não equivale à aprovação definitiva. Para que a mudança seja consolidada, a MP precisa superar todas as etapas previstas no Congresso dentro do prazo.
Os próximos dias serão decisivos.
Se Câmara e Senado concluírem a votação até 8 de setembro, a isenção poderá ser preservada. Caso a MP perca a validade, a cobrança federal de 20% poderá voltar a valer para as compras internacionais de até US$ 50.




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