André Mendonça confirma encontro com Daniel Vorcaro antes de assumir relatoria do caso Banco Master
Ministro do STF afirma que recebeu o empresário uma única vez, em março de 2025, para tratar de processo envolvendo precatórios; reunião ocorreu cerca de 11 meses antes de Mendonça assumir a investigação do Master
André Mendonça confirmou encontro com Daniel Vorcaro em março de 2025. Ministro afirma que reunião tratou de precatórios e ocorreu antes de assumir o caso Master. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2) que se reuniu com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em março de 2025. Segundo o gabinete do magistrado, o encontro ocorreu por iniciativa do empresário e teve como assunto um processo relacionado a créditos de precatórios de interesse da instituição financeira.
A confirmação ganhou repercussão porque Mendonça atualmente é relator no Supremo das investigações relacionadas ao Banco Master. No entanto, a reunião aconteceu cerca de 11 meses antes de o ministro assumir a relatoria do caso, em fevereiro de 2026.
O encontro veio a público após a divulgação de mensagens obtidas a partir do celular de Vorcaro no contexto das investigações da Operação Compliance Zero. Os registros indicam uma articulação para aproximar o empresário do ministro.
Ministro diz que se limitou a ouvir Vorcaro
Em nota, o gabinete de André Mendonça informou que o ministro recebeu Vorcaro apenas uma vez.
Segundo a manifestação, a reunião ocorreu em março de 2025 e Mendonça teria se limitado a ouvir as considerações apresentadas pelo empresário. No mesmo mês, o magistrado também recebeu um advogado de Vorcaro e manteve arquivados no gabinete os memoriais apresentados durante os encontros.
O assunto discutido teria sido a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo que estava em julgamento no Supremo e envolvia créditos de precatórios de interesse do Banco Master.
Na data da reunião, o processo estava sob pedido de vista de outro ministro.
Mendonça afirma que atuação posterior contrariou interesse do empresário
Outro ponto destacado pelo gabinete foi o resultado da atuação de Mendonça no processo.
Segundo a nota, quando posteriormente precisou se manifestar judicialmente sobre o assunto, a posição adotada pelo ministro foi contrária à tese defendida por Vorcaro.
Esse elemento é relevante porque, até o momento, os registros divulgados demonstram a realização do encontro, mas não comprovam que Mendonça tenha interferido em favor do Banco Master ou adotado alguma decisão para beneficiar Vorcaro.
A distinção é fundamental: a existência de uma reunião entre um ministro e uma parte interessada em um processo pode gerar questionamentos sobre transparência, mas não constitui, isoladamente, prova de favorecimento ou irregularidade.
Reunião teria sido articulada por intermediários
Mensagens divulgadas pela imprensa indicam que a aproximação entre Vorcaro e Mendonça teve participação do advogado Ciro Rocha Soares e do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Os registros mostram tratativas anteriores à reunião para viabilizar o contato entre o empresário e o ministro.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, o encontro ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo.
O gabinete de Mendonça sustenta que a iniciativa partiu de Vorcaro e que o conteúdo tratado se restringiu ao processo envolvendo os precatórios.
Caso ganha repercussão após Mendonça retirar sigilo de documentos
A revelação ocorre em um momento especialmente sensível para o Supremo.
Na terça-feira (1º), André Mendonça retirou o sigilo de novos elementos apresentados pela Polícia Federal relacionados às investigações envolvendo Vorcaro.
O material contém conversas atribuídas ao ex-banqueiro e ao ministro Alexandre de Moraes, também integrante do STF.
Mendonça defendeu que o conteúdo seja analisado pelo plenário do Supremo, em sessão presencial, pública e transparente.
As informações foram extraídas do celular de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero.
PGR deverá analisar material
A Procuradoria-Geral da República também terá papel importante nos próximos passos.
Mendonça determinou que a PGR se manifeste sobre os novos elementos encaminhados pela Polícia Federal antes da definição sobre o tratamento jurídico das informações relacionadas a integrantes do Supremo.
A eventual existência de mensagens ou contatos entre investigados e autoridades não significa, por si só, comprovação de crime. Cabe às instituições responsáveis analisar o contexto, a autenticidade e a relevância jurídica do material.
Mendonça defende Código de Conduta no STF
Paralelamente às revelações do caso Master, André Mendonça voltou a defender a criação de um Código de Conduta para integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Durante evento realizado na Corte, o ministro afirmou que regras dessa natureza podem contribuir para preservar a relação de confiança entre a sociedade e o Judiciário.
A proposta é defendida pelo presidente do STF, Edson Fachin, e está sendo discutida internamente.
O debate ganhou ainda mais relevância diante dos questionamentos públicos envolvendo relações entre magistrados e pessoas com interesses em processos analisados pelo tribunal.
Transparência passa a ocupar centro do debate
A confirmação do encontro entre Mendonça e Vorcaro acrescenta um novo elemento ao complexo caso Banco Master.
De um lado, o ministro reconhece que recebeu o empresário para tratar de um processo que envolvia interesses da instituição financeira. De outro, destaca que o encontro aconteceu quase um ano antes de assumir a relatoria das investigações sobre o banco e afirma que sua atuação judicial foi posteriormente contrária à posição defendida por Vorcaro.
Até o momento, não há evidência apresentada nas fontes consultadas de que Mendonça tenha favorecido Vorcaro em razão desse encontro.
Com o avanço das investigações e a retirada do sigilo de parte do material, o caso deve continuar sob atenção pública, principalmente pelas discussões envolvendo transparência, imparcialidade e relações institucionais dentro do Supremo.




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