Ataques contra Celina Leão não substituem propostas para o futuro do DF
Governadora deve ser cobrada por sua gestão, mas transformar debates em sucessão de acusações empobrece a disputa e dificulta justamente aquilo que deveria ser prioridade: permitir ao eleitor comparar projetos
Celina Leão deve responder por sua gestão, mas adversários também precisam apresentar soluções. Ataques não substituem projetos para o futuro do DF. O debate eleitoral deveria cumprir uma função muito simples: colocar diante da população os diferentes projetos para o Distrito Federal.
O eleitor precisa saber o que cada candidato pretende fazer pela saúde, educação, transporte, segurança, habitação, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Precisa conhecer prioridades, prazos e, principalmente, como cada promessa será executada.
Quando o confronto político passa a ocupar espaço excessivo, essa comparação fica prejudicada.
Celina Leão, por comandar atualmente o Distrito Federal e disputar a continuidade da administração, naturalmente enfrenta uma cobrança maior. É legítimo questionar sua gestão. É legítimo confrontar números, decisões, obras, problemas e resultados.
O que merece crítica é quando a cobrança política deixa de servir para esclarecer e passa a substituir a apresentação de alternativas.
Celina deve responder pela gestão, mas adversários precisam responder pelo futuro
Existe uma diferença fundamental entre oposição e alternativa de governo.
Oposição aponta problemas.
Alternativa explica como pretende resolvê-los.
Se um candidato afirma que a saúde precisa melhorar, precisa dizer o que fará para reduzir filas, ampliar atendimento e financiar essas mudanças.
Se critica o transporte, deve explicar quais linhas, obras ou modelos pretende priorizar.
Se questiona a segurança pública, precisa apresentar medidas concretas.
E se promete novos programas, precisa mostrar quanto custarão.
Celina tem um governo para defender e explicar. Seus adversários, por outro lado, possuem projetos que também precisam passar pelo escrutínio público.
A régua deve funcionar para todos.
Ataque não pode virar atalho eleitoral
É compreensível que uma governadora candidata à continuidade se transforme em um dos principais focos dos adversários.
Quem está no Executivo possui decisões concretas para serem analisadas. Existe orçamento executado, políticas implementadas e problemas que podem ser confrontados.
Mas há um risco quando diferentes candidaturas passam a disputar quem produz a crítica mais contundente.
O debate deixa de responder “o que faremos pelo DF?” e passa a girar em torno de “quem consegue atacar melhor quem já governa?”.
Para o eleitor, essa troca é ruim.
Uma acusação pode gerar repercussão imediata nas redes sociais. Uma frase provocativa pode render cortes de vídeo. Um confronto pode dominar as manchetes no dia seguinte.
Nenhuma dessas coisas, isoladamente, administra uma cidade.
Eleitor precisa comparar Celina com alternativas reais
Quem pretende substituir Celina precisa demonstrar que possui uma alternativa melhor.
Esse deveria ser o verdadeiro confronto eleitoral.
Não apenas Celina contra Arruda, Grass, Cappelli, Belmonte ou Caputo enquanto personagens políticos, mas um projeto de governo contra outro projeto de governo.
Qual candidato apresenta a melhor estratégia para saúde?
Quem possui o plano mais consistente para transporte?
Como cada um pretende administrar o orçamento?
Quais propostas são executáveis?
O que será prioridade nos primeiros 100 dias?
É desse confronto que pode nascer uma escolha eleitoral mais informada.
Defender um debate equilibrado não significa blindar a governadora
Criticar o excesso de ataques não significa pedir proteção política para Celina Leão.
Muito pelo contrário.
Uma governadora que pretende continuar no cargo deve estar preparada para responder às perguntas mais difíceis sobre sua administração.
Se existem problemas, precisam ser apresentados.
Se números são contestados, precisam ser confrontados.
Se uma promessa não foi cumprida, cabe perguntar por quê.
Mas exatamente o mesmo rigor precisa ser aplicado a quem promete fazer diferente.
Não seria razoável exigir de quem governa números, resultados e explicações detalhadas enquanto candidatos de oposição recebem liberdade para apresentar grandes propostas sem responder sobre custo, prazo e execução.
Debate precisa ajudar quem ainda não decidiu
Existe outro personagem nessa disputa muito mais importante do que qualquer candidato: o eleitor.
Debates não existem para produzir vencedores nas redes sociais.
Existem para oferecer informações.
Uma pessoa que acompanha duas horas de confronto eleitoral deveria terminar a transmissão sabendo mais sobre aquilo que cada candidatura pretende realizar.
Se termina sabendo apenas quem atacou quem, quem interrompeu quem ou quem produziu a frase mais dura da noite, o debate falhou em uma de suas funções essenciais.
E isso é particularmente importante para quem ainda está indeciso.
Esse eleitor não precisa de mais barulho.
Precisa de elementos para comparar.
Menos dedos apontados, mais soluções apresentadas
Celina Leão deve continuar sendo questionada.
Faz parte da democracia e da responsabilidade de quem ocupa o Executivo.
Mas seus adversários também precisam compreender que criticar a atual governadora não constitui, por si só, um programa de governo.
O Distrito Federal possui problemas concretos demais para que uma campanha seja reduzida a confrontos pessoais.
Há pacientes esperando atendimento. Há passageiros dependendo diariamente do transporte público. Existem famílias buscando moradia, estudantes esperando educação de qualidade e trabalhadores preocupados com emprego e renda.
São essas pessoas que deveriam ocupar o centro do debate.
No final, a disputa eleitoral não deveria ser decidida por quem apontou mais dedos.
Deveria ser decidida depois que o eleitor pudesse olhar para cada candidato e responder três perguntas fundamentais:
O que pretende fazer? Como pretende fazer? E por que acredita que conseguirá entregar?
Celina precisa responder.
Seus adversários também.
É assim que um debate contribui para uma escolha consciente.




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