Empresário com 1 milhão de seguidores é investigado por suposta lavagem de dinheiro para integrante do PCC

Ministério Público de São Paulo aponta que empresas de carros de luxo teriam funcionado como estrutura financeira de investigado; Operação Nexus prendeu seis pessoas e cumpriu 26 mandados

Metrópoles
Empresário com 1 milhão de seguidores é investigado por suposta lavagem de dinheiro para integrante do PCC Operação Nexus investiga empresário do mercado de carros de luxo suspeito de movimentar recursos para integrante do PCC; seis pessoas foram presas.

Um empresário conhecido nas redes sociais pela exposição de carros de luxo entrou na mira do Ministério Público de São Paulo (MPSP) durante uma investigação sobre a estrutura financeira atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Leandro Gabioneta, empresário do setor automotivo com mais de 1 milhão de seguidores, é investigado sob suspeita de atuar como uma espécie de “banco particular” de Reginaldo Pereira da Silva, conhecido como Tim, apontado pelas autoridades como integrante da organização criminosa. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles nesta terça-feira (15).

É importante ressaltar que as acusações fazem parte de uma investigação. Não há, nas informações divulgadas até agora, condenação de Gabioneta pelos fatos investigados. Procurado pela reportagem original, o empresário não havia apresentado manifestação.

Movimentações superiores a R$ 2 milhões estão sob investigação

Segundo a apuração, relatórios identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 2 milhões. O MPSP investiga se estabelecimentos ligados ao empresário teriam sido utilizados para lavagem de recursos atribuídos ao tráfico.

Uma das empresas mencionadas é a Gabioneta Private Select, localizada em Campinas, no interior paulista. Três lojas ligadas ao empresário, duas em Itatiba e uma em Campinas, foram alvo de ordens judiciais de busca e apreensão.

A presença de automóveis de alto valor também chama atenção na investigação. Nas redes sociais, o empresário construiu audiência exibindo veículos de luxo, incluindo modelos de marcas como Lamborghini, Porsche e Ferrari. A existência desse conteúdo, por si só, evidentemente não comprova qualquer atividade criminosa.

Operação Nexus prende seis pessoas

As diligências fazem parte da Operação Nexus, realizada pelo MPSP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com o 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep).

Até a publicação das informações, seis pessoas haviam sido presas e 26 ordens judiciais de busca e apreensão expedidas.

Entre os presos está Reginaldo Pereira da Silva. Segundo o Gaeco, ele é suspeito de comandar uma estrutura voltada ao tráfico dividida em cinco núcleos. Ele e a esposa foram presos em um condomínio de luxo de Itatiba.

Investigação também alcançou policial e vereador

A operação avançou sobre outros personagens.

A Corregedoria da Polícia Militar cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de um policial militar que, conforme a investigação citada pela reportagem, teria ligação com o principal alvo da operação.

Também foram realizadas buscas na residência e no gabinete do vereador de Itatiba Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), conhecido como Duguaca. O parlamentar foi procurado pela reportagem original, que aguardava posicionamento.

Ser alvo de busca e apreensão não representa, isoladamente, comprovação de participação em crime.

Crime organizado amplia mecanismos financeiros

O caso se soma a outras investigações recentes que tentam identificar os mecanismos utilizados para movimentar e ocultar recursos atribuídos ao crime organizado.

Em julho, por exemplo, a Operação Janus investigou empresários, advogados e outros suspeitos de realizar operações financeiras em benefício do PCC, incluindo movimentação de dinheiro em espécie, transferências bancárias e utilização de empresas e contas de terceiros.

A investigação da Operação Nexus agora deverá avançar sobre documentos, movimentações financeiras e materiais recolhidos nas buscas para determinar se as suspeitas levantadas pelo Ministério Público encontram respaldo suficiente para eventual responsabilização criminal.

Até lá, é necessário distinguir suspeita, investigação e condenação. A conclusão sobre a responsabilidade individual dos envolvidos cabe ao processo judicial.




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